Energia

Ciberataques às energias renováveis: estará a Europa segura?

Ataques a estruturas de energia parecem cada vez mais frequentes, mas porquê estes alvos?
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Ciberataques a sistemas renováveis (fotomontagem AWAY)
Ciberataques a sistemas renováveis (fotomontagem AWAY)

A pandemia da Covid-19 primeiro e a guerra na Ucrânia depois, vieram demonstrar a necessidade de acelerar a implementação de projetos de energia renovável um pouco por todo o mundo.

Mas acontecimentos nos últimos meses, como alegados ataques informáticos a parques de turbinas na Alemanha, uma empresa de energia nos Açores ou ao gigante Iberdrola têm demonstrado que nem tudo é cor-de-rosa no que concerne à segurança das empresas energéticas, de parques de energia fotovoltaica ou eólicas.

A verdade é que parece existir uma espécie de receio silencioso no setor da energia que possam ocorrer ataques informáticos a empresas, mas mais especialmente a estruturas de energia renovável que coloquem em causa o abastecimento ou as redes de energia. E a continuação da guerra só agrava esse receio.

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Os hacker estão a visar estruturas de energia renovável (foto: Arquivo AWAY)

Em declarações recentes à Reuters, Michael Ebner, especialista de cibersegurança na energética alemã EnBW revelou: “em 2022, após o início da Guerra na Ucrânia, o risco de sabotagem informática aumentou substancialmente”. O responsável referiu que isto fez com que a empresa tenha reforçado as equipas com mais de duas centenas de especialistas desta área, para proteger as ligações informáticas de apoio à gestão de parques eólicos e solares.

E Ebner não é o único a demonstrar preocupação. Vários especialistas têm revelado nos últimos tempos tentativas de ataques vindos, alegadamente da Rússia, contra infraestruturas tecnológicas de apoio que vão desde o gasoduto Nord Stream, até à barragem de Kakhovka, entre outras.

O maior receio, como sublinham, é de que um estado beligerante possa utilizar hackers para infetar infraestruturas cruciais de gestão de energia de países-alvo, com a introdução de malware ou mesmo ataques diretos à rede.

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O ano passado a Iberdrola foi alvo de um ataque que afetou mais de 1 milhão de clientes (foto: Arquivo AWAY)

Os Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU), afirmaram recentemente à Reuters que a Rússia está a lançar cerca de 10 ciberataques por dia (em média) contra infraestruturas informáticas da rede energética local. Acrescentam ainda que os ataques com misseis são normalmente acompanhados de tentativas de intrusão maliciosa nas redes. A Rússia tem negado estas acusações e remete para a falta de provas, acusando os Estados Unidos e a NATO de influência nestas teorias.

Guerra à parte, a questão que parece alimentar estes ciberataques um pouco por toda a Europa, pode ser o facto de atualmente existir uma maior descentralização de produção de energia, em alguns casos, por pequenas unidades solares ou eólicas.

O aumento de sistemas de energia e o crescimento das redes (algumas em locais mais distantes), cria a necessidade de maior número de pontos de contacto e, como consequência maior probabilidade de acesso às redes informáticas.

É com isso com os hackers contam. Mais entradas, maior potencial para ataques.

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