Energia

Ucrânia planeia uma reconstrução verde e com energias renováveis

A guerra é também uma oportunidade para reconstruir a Ucrânia com menor impacto ambiental
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Destruição de Bakhmut, fevereiro 2023 (foto: Associated Press)
Destruição de Bakhmut, fevereiro 2023 (foto: Associated Press)

Svitlana Krakovska pode ser ainda um nome desconhecido para grande parte do público, mas a cientista e ativista climática ucraniana foi das primeiras pessoas a relacionar publicamente a Guerra na Ucrânia com as alterações climáticas e a estabelecer uma ligação da guerra ao controlo da energia.

A especialista climática ucraniana também ficou conhecida por outra ação. Assim que a guerra despontou Krakovska instalou painéis solares no topo do edifício onde morava em Kiev. A solução, acredita, é mesmo essa: reconstruir a Ucrânia com foco numa ação climática verde e utilização de energias renováveis

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Painéis solares improvisados em Lyman, Donetsk (foto: Andriy Andriyenko/AP)

Citada pela Bloomberg a cientista refere que a interferência humana, que comprovadamente está a provocar alterações climáticas, tem as mesmas raízes do ataque russo à Ucrânia: um combate para controlar o fornecimento de energia.

E os dados conhecidos vão dando razão. Um relatório da Faculdade de Economia de Kiev, revelado em março e citado pela Bloomberg mostra que mais de 154 mil casas, 3100 edifícios educacionais e cerca de 1200 instalações de saúde tinham sido gravemente atingidas ou destruídas pelas tropas russas desde a invasão à Ucrânia.

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Svitlana Krakovska, cientista climática, Ucrânia (foto: Nariman El-Mofty/AP)

A necessidade colossal de reconstrução irá exigir um esforço humano e financeiro ainda incalculável. Mas a questão energética será, sem dúvida, um dos maiores desafios.

E é por isso mesmo que Krakovska, em conjunto com outros especialistas ucranianos defendem que para reconstruir o país, deve-se apostar desde o ponto de partida em provocar o menor impacto ambiental possível e assegurar fontes de energia renovável que reduzam a dependência energética não apenas do país, mas também de cada cidadão.

Esta reconstrução e esta necessidade de pensar numa ação de energia verde é fundamental para o país (basta recordar que os ataques russos já deixaram grande parte do país com um total de cerca de 35 dias sem energia, desde o início do conflito).

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky está ciente desta necessidade e em fevereiro último anunciou um acordo de cooperação com a União Europeia para o desenvolvimento e produção de energia verde e hidrogénio.

Há poucas semanas, em declarações à Bloomberg, Robert Habeck o ministro da energia alemão foi perentório: “a solução para a descentralização e independência energética é óbvia, passa pela utilização de energias renováveis”. Declaração válida para a Alemanha, mas que pode ser perfeitamente adaptada à reconstrução da Ucrânia.

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