Sustentabilidade

Comer carne ou ser vegan? Qual é a dieta com menos emissões de carbono

Ajudamos a perceber qual será a fonte proteica mais sustentável e com menor pegada carbónica
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Há várias formas de diminuirmos a nossa pegada ambiental todos os dias. Evitar plásticos de utilização única, andar a pé e de transportes públicos ou fechar a água quando se lava os dentes são apenas algumas coisas simples de aplicarmos na nossa rotina. Outra talvez não tão simples será ter em atenção a fonte de proteína que ingerimos, já que este macronutriente é responsável por grande parte das emissões da nossa dieta.

A questão do impacto ambiental da alimentação tem levado muitas pessoas a mudar a sua alimentação ou a, pelo menos, ponderar fazê-lo. Surge então a questão: será que uma dieta vegan tem menos emissões de gases poluentes do que uma dieta carnívora?

Indústria alimentar - AWAY
Indústria alimentar é altamente poluente (foto: Szabo Viktor/Unsplash)

A indústria alimentar é extremamente poluente. A desflorestação em alguns países é uma prática comum para criar espaços para agricultura e pecuária e a criação de certos animais para consumo é responsável pela emissão de toneladas de gases nocivos.

De acordo com o estudo de 2021 “A pegada carbónica da proteína da carne e lacticínios: uma perspetiva prática para guiar escolhas de dieta com pequena pegada carbónica pequena”, publicado no Journal of Cleaner Production, a cadeia alimentar é responsável por 12,7 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2eq), o que representa 26% das emissões totais mundiais.

Proteína e as emissões de gases de efeito estufa

Vamos focar-nos na proteína, um dos três macronutrientes de uma dieta equilibrada. Apesar de não ser a principal fonte de calorias, alimentos ricos em proteína são responsáveis pela grande maioria das emissões poluentes, especialmente numa dieta carnívora, já que só o gado é responsável por pelo menos 14% do total de emissões no mundo.

Dados de um estudo publicado em 2018, intitulado “Reduzir o impacto ambiental da comida através de produtores e consumidores” e divulgados no Our World in Data fazem uma análise das emissões de gases por 100 gramas de proteína (não por 100 gramas de alimento).

Carne de vaca - AWAY
Carne de vaca é a que tem mais emissões (foto: Loija Nguyen/Unsplash)

Olhando para os números, que podem ser vistos na galeria, facilmente se percebe que é a carne de vaca a que tem maiores emissões de todas as principais fontes de proteínas, com 49,89 kg por 100 g do macronutriente.

No entanto, se a vaca que consumirmos vier da indústria dos lacticínios, ou seja, se tiver dado leite antes de ter sido abatida, a sua pegada ecológica diminui para menos de metade, para 16,87 kg de emissões.

Os primeiros lugares são ocupados por fontes animais de proteína. Só mais no final surgem os alimentos que normalmente fazem parte da dieta vegan. O tofu, a aveia, as ervilhas e os frutos secos, muito usados por quem não come carne, são dos que têm menos emissões.

Dieta alimentar - AWAY
Produtos vegetais têm menor pegada carbónica (foto: Farhad Ibrahimzade/Unsplash)

Esta tendência é confirmada pelo artigo científico “Alimentos à base de animais têm o dobro das emissões de gases de efeito estufa de alimentos à base de plantas”, publicado em 2021 na Nature Food. Depois de analisadas as emissões de alimentos como arroz, trigo, soja, feijões, carne de vaca e porco, e leite, concluiu que uma dieta à base de vegetais tem menor pegada ambiental.

Se tiveres uma dieta que inclua carne e lacticínios e a título de curiosidade quiseres ver as emissões da mesma, os autores do artigo “A pegada carbónica da proteína da carne e lacticínios: uma perspetiva prática para guiar escolhas de dieta com pequena pegada carbónica pequena” criaram uma aplicação onde podes pôr os teus consumos que ele apresenta a tua pegada carbónica alimentar.

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