Energia

Hidrogénio em pó poderá revolucionar o futuro da mobilidade

Uma nova forma de separar hidrogénio pode acabar definitivamente com os problemas de transporte e armazenamento deste gás
Hidrogénio (Foto: Gettyimages/Tienne Balmer)
Hidrogénio (Foto: Gettyimages/Tienne Balmer)

Enquanto fonte de energia, o hidrogénio esteve sempre associado a dificuldades relacionadas com o transporte e o armazenamento, o que ditou que a mobilidade elétrica a baterias tenha tomado a dianteira enquanto alternativa limpa aos combustíveis fósseis. Mas a recente descoberta de um grupo de investigadores pode mudar as regras do jogo.

Srikanth Mateti e Ian Chen, uma equipa de cientistas da Universidade de Deakin, localizada no estado de Vitória, Austrália, parece ter encontrado a solução para pôr fim os problemas de armazenamento e transporte de hidrogénio, ao transformar o gás em pó.

Atualmente o armazenamento de hidrogénio faz-se em tanques de alta pressão, ou através do arrefecimento do gás até ao estado líquido. De uma ou de outra forma, é sempre despendida uma enorme quantidade de energia e são utilizados processos e produtos químicos considerados perigosos.

Investigadores Srikanth Mateti e Ian Chen (Foto: divulgação)

A nova descoberta dos investigadores de nanotecnologia do Institute for Frontier Materials (IFM) da Universidade de Deakin pode pôr termo a estes métodos e contribuir decisivamente para a adoção generalizada do hidrogénio, nomeadamente enquanto energia para a mobilidade.

O enorme avanço conseguido pela equipa de cientistas consiste numa nova forma mecano-química de separar, armazenar e transportar enormes quantidades de gás, em segurança e sem desperdícios. O segredo deste processo? Um ingrediente chamado nitreto de boro em pó.

Por ser muito pequeno e ter, ainda assim, uma grande superfície de absorção, este componente revelou-se extremamente eficaz para absorver substâncias como o hidrogénio.

Na prática, o nitreto de boro em pó é colocado num moinho que contém pequenas bolas de aço inoxidável concentradas numa câmara, juntamente com os gases que precisam de ser separados. À medida que a câmara gira a uma velocidade cada vez maior, a colisão das esferas com o pó e a parede da câmara desencadeia uma reação mecano-química, que resulta na absorção de gás pelo pó.

Ainda surpresa por esta descoberta, a equipa de cientistas concluiu que o pó de nitreto de boro pode ser reutilizado várias vezes para realizar o mesmo processo de separação e frisou que este componente é classificado como um produto químico de nível 0, pelo que é perfeitamente seguro para ser armazenado em qualquer local, até mesmo em casa.

Uma vez absorvido pelo pó, o hidrogénio pode ser transportado de forma segura e fácil. E quando a sua utilização for necessária, basta simplesmente aquecer o pó em vácuo para libertar o gás inalterado.

Com a descoberta deste processo, que não requer altas pressões ou temperaturas reduzidas, a equipa de cientistas do IFM acredita ter criado uma forma mais barata e segura de desenvolver veículos movidos a hidrogénio.

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