Opinião
Marcos Madeira
Marcos Madeira é Diretor de Rede de Estações de Serviço, Fidelização e Mercado Profissional da Repsol Portuguesa, tendo ocupado o cargo de Diretor Comercial do Negócio do Gás, entre 2019 e 2023. Com mais de 20 anos de experiência em gestão comercial, foi Business Development Director na Sonae MC, CRM e Loyalty Director no Pestana Hotel Group e Marketing Manager na Sonaecom, função que ocupou durante mais de uma década.

Alternativas de mobilidade como alavanca da transição energética

Nas cidades, uma das soluções com um impacto mais imediato é a mobilidade suave como meio de transporte alternativo
Texto
Marcos Madeira, Diretor de Rede ES da Repsol Portugal (foto: divulgação)
Marcos Madeira, Diretor de Rede ES da Repsol Portugal (foto: divulgação)

Uma semana depois da Semana Europeia da Mobilidade, assinalámos em Portugal o primeiro Dia da Sustentabilidade. Mais do que uma efeméride, representa uma prova de que o esforço conjunto das pessoas e das empresas para acelerar a descarbonização da economia e das atividades mais básicas do dia-a-dia, está a guiar-nos no sentido certo.

Simboliza uma mudança de paradigma, que vem reforçar a nossa responsabilidade e compromisso rumo à neutralidade carbónica. A sustentabilidade é um objetivo de todos, e para todos, e ainda que nenhum setor possa ser descurado, existe claramente um que merece e exige uma grande atenção: a mobilidade, que assume uma fatia relevante da pegada carbónica. Todos temos um papel importante a cumprir, e perante o enorme desafio da transição energética, a grande diferença pode começar pela nossa própria mobilidade, no dia a dia questionando-nos sobre se nos estamos a movimentar da forma mais eficiente.

Nas cidades, uma das soluções com um impacto mais imediato é a mobilidade suave como meio de transporte alternativo. Andar a pé ou de bicicleta, de trotinetes elétricas ou partilháveis, além de potenciar hábitos mais saudáveis, contribui efetivamente para a redução de emissões. Neste grupo, inclui-se também a escolha por meios de transporte com emissões de gases com efeito de estufa reduzidas ou nulas, sempre que possível, como autocarros e carros movidos a combustíveis renováveis ou a eletricidade. Neste grupo de opções não falamos de futuro, falamos de presente, estas opções estão hoje disponíveis e caberá a cada um individualmente fazer a sua escolha consciente sobre que meio utilizar.

Por outro lado, o contexto de rápida transformação tecnológica que atravessamos, os novos modelos de trabalho – como o trabalho remoto -, e a rápida expansão do e-commerce, conduziram a um maior volume de compras online, aceleraram a urgência de encontrar soluções sustentáveis de transporte, tanto de pessoas como de mercadorias.

Neste setor, vemos já bons exemplos de mecanismos que permitem assegurar processos de entrega mais sustentáveis e eficientes – com o apoio da tecnologia, já que a mobilidade inteligente se tornou também indissociável da mobilidade sustentável -, e que garantem a distribuição de produtos com menos emissões. Uma das estratégias passa pela instalação de smartlockers em pontos estratégicos, e que permitem uma poupança na atividade de distribuição de “última milha” – o último processo na etapa de entrega de uma encomenda.

Com estes cacifos inteligentes, o consumidor pode levantar a sua encomenda, geralmente sem custos adicionais no horário que lhe for mais conveniente, através da leitura de um QR Code, código de barras ou inserção manual de código, reduzindo o percurso das distribuidoras e a necessidade de estar em casa a determinada hora. Trata-se de mais uma alternativa sustentável que já está disponível.

Como relembra o Decreto-Lei que serviu de base para a aprovação desta efeméride em Portugal, este deve ser um caminho conjunto. Todos têm um papel importante no caminho para a transição energética, do setor público e privado, às empresas e à sociedade civil. Em Portugal, temos já bons exemplos de como caminhar de forma sólida e estruturada, com soluções de curto e longo prazo, rumo à neutralidade carbónica. Mas temos de estar conscientes de que já existem opções que podem ser utilizadas e cabe a cada um, e a cada organização, definir como percorrer este caminho.

Marcos Madeira escreveu esta crónica a convite da AWAY Magazine

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