Opinião
Carla Moniz
Carla Moniz é Responsável de Sustentabilidade e Seguros da UCI Portugal. Passou toda a sua carreira na UCI, em várias áreas de negócio, tendo transitado da UCI Brasil, onde esteve os últimos quatro anos como Diretora Administrativa e Financeira

Condomínios: Mais sustentabilidade, mais poupança

É fulcral reavaliarmos a reabilitação do nosso parque habitacional.
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Carla Moniz, Sustentabilidade e Seguros | UCI Portugal (foto: Direitos Reservados)
Carla Moniz, Sustentabilidade e Seguros | UCI Portugal (foto: Direitos Reservados)

Vivemos um momento crucial no que respeita à sustentabilidade ambiental e o caminho para um futuro mais sustentável faz-se também a partir das nossas casas, onde os condomínios desempenham um papel fundamental na procura de soluções conjuntas mais eficientes e amigas do ambiente.

Segundo dados da International Energy Agency, os edifícios são responsáveis por 30% do consumo final global de energia e por 27% das emissões totais do setor da energia, sendo 8% emissões diretas dos edifícios e 19% emissões indiretas resultantes da produção de eletricidade e calor usado nos edifícios. Para melhorar estas estatísticas, são fundamentais programas de apoio para reabilitar e tornar os edifícios energeticamente mais eficientes, como é o Programa de Apoio a Condomínios Residências e o mais recente Programa de Apoio Edifícios Mais Sustentáveis, mas muito mais terá de ser feito.

Neste contexto, as empresas de gestão de condomínios são parte essencial da estratégia de reabilitação dos edifícios uma vez que têm uma capacidade de mobilização e de atuação maior. E de acordo com o estudo “Condomínios e obras: A experiência das empresas de gestão de condomínios”, que realizámos (ndr. UCI Portugal) com a Spirituc, a maioria das empresas (91%) apresentou este tipo de programas de apoio aos condomínios, mas apenas 6% recorreu a algum tipo de ajuda. Também de acordo com este estudo, apenas uma minoria dos condomínios geridos foi intervencionada nos últimos 18 meses (13%) e a maioria das obras foram motivadas por questões de segurança e manutenção e não por questões de eficiência energética ou preocupação ambiental.

Investir na melhoria da eficiência energética das casas e dos edifícios ainda não está ao alcance de todos e é por isso essencial identificar novas e mais formas de apoiar os condomínios na reabilitação dos edifícios residências, uma vez que também é bastante consensual junto das empresas inquiridas que mais obras não são realizadas por falta de capacidade financeira dos condóminos (98%).

Tornar os nossos edifícios mais sustentáveis é do interesse de todos. Trata-se de um investimento que beneficia o meio-ambiente, traduz-se numa melhoria da qualidade de vida dos seus moradores (mais conforto) e contribui para a poupança (menos custos com os consumos de energia). É por isso fulcral reavaliarmos a reabilitação do nosso parque habitacional. Além de estarmos a contribuir para a diminuição da emissão de CO2 na habitação, estamos a construir comunidades mais resilientes e ambientalmente mais responsáveis. Tudo isto irá permitir reduzir o consumo de energia, poupando recursos ambientais e financeiros, mas também combater as alterações climáticas e criar um futuro mais sustentável. Afinal, é para isso que todos lutamos.

Carla Moniz escreveu esta crónica a convite da AWAY Magazine

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