Sustentabilidade

Espaços verdes em zonas carenciadas do Porto não atraem a população

Estudo sugere um planeamento urbano mais sustentável, mais justo e mais inclusivo de jardins e outros espaços verdes
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Espaços verdes no Porto
Espaços verdes no Porto

Espaços verdes em zonas carenciadas do Porto são menos diversificados e pouco frequentados, conclui um estudo desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento em ecologia e saúde ambiental de Diogo Guedes Vidal, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A investigação visou identificar padrões de comportamento humano em quatro espaços verdes da cidade do Porto, considerando o perfil dos utilizadores, a envolvente socioeconómica, o desenho e elementos humanos e não humanos presentes no espaço.

Realizado ao longo de quatro meses, durante os quais foi mapeado o uso de espaços verdes por parte de 979 utilizadores, o estudo teve como objetivo central perceber se a sua utilização está, de alguma forma, associada ao nível de privação socioeconómica da envolvente, se existem variações ao longo do dia e como as diferentes características desses espaços influenciam comportamentos.

Jardim da Corujeira, Jardim de Arca d’Água, Jardim João Chagas (ou Jardim da Cordoaria) e Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) foram os espaços verdes do Porto sob análise, tendo o investigador responsável concluído que nos localizados em zonas mais debilitadas do ponto de vista socioeconómico e ambiental o seu uso é menos diversificado.

A explicação para tal facto está na “ausência de elementos que o estimule”, destaca Diogo Guedes Vidal. Por isso assiste-se a uma menor frequência de utilizadores. Por outro lado, foi possível constatar que alguns espaços verdes são usados para ações de carácter social, como a distribuição de alimentos a sem-abrigo, pelo que se conclui que aqueles não se esgotam nas funções para as quais foram idealizados.

A dimensão humana que foi possível integrar nesta investigação, sublinha o seu responsável, permite apresentar um contributo para que aquela seja considerada num planeamento urbano mais sustentável, mais justo e inclusivo.

(Fotos: J. Seabra Guimarães e V. Ribeiro/ Flickr)

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