Água potável na Suíça contaminada com produtos químicos eternos

As águas subterrâneas fornecem 80% da água potável da Suíça e estão contaminadas
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Montanhas na Suíça (foto: Nextvoyage/Pexels)
Montanhas na Suíça (foto: Nextvoyage/Pexels)

Há um grupo de produtos químicos nocivos à saúde humana que conhecemos pela designação de “produtos eternos” que infelizmente muitos de nós utilizamos e que estão a contaminar águas subterrâneas um pouco por todo o mundo.

A presença e efeitos dos PFAS (vê descrição abaixo) são irreversíveis e recentes testes na Suíça fizeram disparar os alarmes com a presença destes produtos químicos eternos na água potável.

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Paisagem Suíça (foto: Vincent Janssen/Pexels)

O que são produtos químicos eternos (PFAS)?

Os produtos químicos eternos ou PFAS são substâncias perfluoroalquiladas ou um grupo de produtos químicos sintéticos, tóxicos ao homem e ao meio ambiente. Podem manter-se na natureza para sempre e podem entrar no nosso sistema sanguíneo, existindo suspeitas de ligação ao aparecimento de doenças hepáticas, cancro, doença da tiroide ou hipertensão.

Vários estudos internacionais identificam a presença destes químicos em 50% dos cosméticos vendidos em todo o mundo, mas podem ainda ser encontrados em utensílios anti-aderentes, embalagens de alimentos ou repelentes de manchas.

Apesar do estudo dos efeitos e presença destes químicos ser vasto não é ainda possível estabelecer ligações diretas causa-efeito, mas o facto de não se decomporem no meio ambiente e permanecerem, por exemplo, em lençóis freáticos durante dezenas de anos, leva ao seu consumo o que pode ter consequências nefastas para a saúde humana.

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Torneira com água potável (foto: Cottonbro Studio/Pexels)

Suíça encontra produtos químicos eternos na água potável

As amostras foram captadas em mais de 500 estações de medição e o Observatório Nacional de Águas Subterrâneas (NAQUA) descobriu que estes aditivos químicos potencialmente nocivos estão generalizados no principal recurso de água potável da Suíça: as águas subterrâneas de onde a nação helvética recolhe 80% da água de consumo.

No entanto e apesar dos receios imediatos para a saúde pública, os valores-limite suíços só foram excedidos numa estação, de acordo com o Gabinete Federal do Ambiente (FOEN), ainda assim suficiente para disparar o alarme.

Esta pesquisa revela que embora alguns produtos químicos eternos estejam agora proibidos na Suíça, são ainda encontrados resíduos no meio ambiente. Face aos recentes resultados a Suíça poderá ponderar um plano de ação para reduzir permanentemente a exposição dos seres humanos e do ambiente a produtos químicos.

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Produtos de cosmética (foto: Cottonbro Studio/Pexels)

O que são águas subterrâneas?

A água subterrânea é água doce que é filtrada abaixo da superfície da terra, onde é retida em rochas porosas ou sedimentos conhecidos como aquíferos. As águas subterrâneas são a principal fonte de água potável da Suíça, fornecendo 80% das necessidades do país.

Em 2021, a FOEN e a NAQUA decidiram analisar amostras de águas subterrâneas suíças para 26 tipos de PFAS. Os resultados divulgados em 12 de setembro identificaram 13 tipos de PFAS em quase metade das estações de medição.

As concentrações mais elevadas foram medidas para PFOS (sulfonato de perfluoroctano), que foi amplamente proibido no país desde 2011. Este tipo de produto químico para sempre representa o maior risco para a saúde. No passado, era amplamente utilizado como revestimento protetor para têxteis, como tapetes e couro.

A Suíça estabelece um limite seguro entre 0,3 e 0,5 microgramas de PFAS por litro de água subterrânea, com um limite de três tipos individuais de PFAS por amostra. Isto só foi excedido em uma das estações de medição.

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Rio rápido (foto: Clément Proust/Pexels)

Como o PFAS entra na água potável?

As espumas de combate a incêndios contendo PFAS parecem ser um dos principais culpados pela presença de produtos químicos eternos nas águas subterrâneas, de acordo com os dados revelados pela FOEN, na Suíça.

Estas espumas são utilizadas de forma intensiva em áreas de treino de extinção de incêndio, bem como em áreas industriais, reservatórios e ferrovias, e podem aumentar a probabilidade de infiltração destes produtos químicos para o solo.

As águas subterrâneas também estão contaminadas com PFAS de outras fontes, como aterros sanitários e águas residuais.

Vários estudos europeus mostram no entanto que grande parte dos responsáveis pela presença dos PFAS nas águas é a indústria, com a cosmética e química (de forma genérica) com grande quota de responsabilidade.

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Na Suíça treinam-se os bombeiros para incêndios que são uma preocupação (foto: Joanne Francis/Unsplash)

Os PFAS são proibidos na UE? E em Portugal?

No início deste ano foram conhecidos relatórios de um consórcio de jornalistas (Forever Polution Project) que colocam a zona da Valada do Tejo como aquela que apresenta maior concentração de PFAS, em Portugal.

Já este ano Portugal introduziu algumas alterações à lei (Decreto-Lei n.º 69/2023, de 21 de agosto) transpondo a norma europeia, ou seja, com a tolerância máxima entre 0,1 e 0,5 microgramas por litro (total de substâncias PFAS e soma de PFAS).

A União Europeia pretende regular os PFAS como uma classe em vez de tentar lidar com cada substância de uma forma independente, pretendo bani-los até 2025.

A Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) estima que cerca de 4.4 milhões de toneladas de PFAS sejam despejados no meio ambiente nos próximos 30 anos se não forem tomadas medidas preventivas.

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