Energia

Falta de mão-de-obra qualificada atrasa desenvolvimento de novas baterias

Além do problema da produção, os fabricantes de baterias começam agora a ter falta de engenheiros para o desenvolvimento de produtos
Fábrica Northvolt (Foto: Northvolt)
Fábrica Northvolt (Foto: Northvolt)
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A Coreia do Sul continua a ser o maior produtor mundial de baterias destinadas a carros elétricos, estando responsável pelo fornecimento de marcas como a Tesla, a Ford e o Grupo Volkswagen. Entre o TOP 6 de fabricantes de baterias, encontramos nomes como o da LG Energy Solutions, a SK Innovation e a Samsung SDI, sendo que só estes três alimentam cerca de um terço do mercado global. Mas agora, a transição para um mundo eletrificado encontra um novo problema que poderá provocar um novo atraso no desenvolvimento de novas soluções em termos de produção de baterias: falta de mão-de-obra qualificada.

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Coreia do Sul investe em fábricas de baterias

 

Baterias na Fábrica da LG Energy Solutions (foto: LG Energy Solutions)
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Segundo declarações dos principais fabricantes, o constante aumento da procura tem feito com que todos os trabalhadores destas empresas estejam focados em responder ao aumento das solicitações por parte dos construtores de automóveis, não havendo muita margem de manobra para investigação e engenharia ou para o desenvolvimento de novos produtos, onde começa a registar-se uma enorme escassez de especialistas.

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Pode não parecer um enorme problema, mas à velocidade que este sector se está a desenvolver, é fulcral que a indústria também consiga acompanhar este crescimento, em vez de se limitar apenas a fornecer os componentes necessários. É importante que haja espaço temporal para se continuar a criar novas tecnologias.

Lítio para baterias cada vez mais caro

Entre as soluções que se gostaria de ver chegar ao mercado, estão, por exemplo, as novas baterias sólidas. No entanto, os fabricantes não conseguem encontrar técnicos suficientes com a formação necessária para poder apostar em novas soluções.

Carregamento de veículo elétrico (Foto: Waldermar Brandt/Unsplash)

"Embora estejamos a assistir a um enorme crescimento na indústria, parece que estamos a enfrentar uma crescente falta de talento", disse um funcionário da LGES. "É crucial recrutar talentos externos, bem como continuar a apostar em talentos locais”, uma opinião também partilhada pelos dois grandes rivais desta empresa.

Segundo os dados mais recentes da Korea Battery Industry Association, o sector das baterias duplicou nos últimos cinco anos, sendo que a Coreia do Sul tem agora uma escassez próxima de três mil pessoas com formação em áreas como a da investigação. Só as três empresas já referidas contam com um total de quase 20 mil trabalhadores e mesmo assim não está a ser suficiente. Tudo isto poderá provocar um abrandamento do mercado global de baterias que, ainda assim, se prevê que alcance os 77,9 mil milhões de euros até ao ano 2025.

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Fábrica Northvolt (foto: Northvolt)

Há ainda outro fator que parece estar contra as empresas fabricantes de bateria na Coreia do Sul: há cada vez mais profissionais a irem para a Europa, onde contam com melhores condições laborais e salários mais altos.

Recentemente, um porta-voz da Northvolt, um fabricante sueco de baterias a iões de lítio, admitiu à Reuters que tinha contratado antigos funcionários de grandes empresas coreanas de produção de baterias e que "tem algumas pessoas a trabalhar da Northvolt da Coreia do Sul, que é obviamente um país impressionante quando se trata de fabrico e desenvolvimento de baterias”. Sem divulgar as condições de contratação, a empresa “oferece pacotes competitivos aos empregados - todos os que trabalham aqui são acionistas da empresa, por exemplo”.

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