Energia

Países do Golfo anunciam neutralidade carbónica em 2060, mas mantêm o petróleo

Os maiores produtores mundiais de petróleo anunciaram que pretendem alcançar a neutralidade carbónica até ao ano 2060.
Países do Golfo anunciam neutralidade carbónica em 2060
Países do Golfo anunciam neutralidade carbónica em 2060
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A pouco e pouco vão começando a ser anunciadas as datas em que a grande maioria dos países prevê alcançar a sua neutralidade carbónica. No caso de Portugal, por exemplo, o ano previsto é 2050. Mas agora, são os países conhecidos pela extração de petróleo que anunciaram os seus planos.

No caso da Arábia Saudita, que é o maior exportador mundial de petróleo, o plano agora revelado, de acordo com a Reuters, passa por alcançar a neutralidade carbónica até 2060, sendo que isso representa um investimento em torno dos 186 mil milhões de dólares (aproximadamente 161 mil milhões de euros). Em termos de receitas, este país anunciou também que em 2020 arrecadou cerca de 110 mil milhões de dólares (aproximadamente 95 mil milhões de euros), mas espera este ano superar os 200 mil milhões (173 mil milhões de euros) à medida que o preço do petróleo recuperar.

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O Bahrain assumiu o mesmo compromisso que a Arábia Saudita, apenas uns dias depois de os Emirados Árabes Unidos terem anunciado o ano de 2050 para o seu objetivo da neutralidade carbónica, com um investimento em torno dos 163 mil milhões de dólares (cerca de 141 mil milhões de euros) em energias renováveis.

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Juntamente com outros países exportadores de crude como o Qatar e o Kuwait, estas são as três nações que estão entre os dez maiores emissores de dióxido de carbono per capita do planeta, segundo dados fornecidos pelo World Bank.

Todo o setor energético é atualmente responsável por cerca de 75% das emissões de gases poluentes, sendo, por isso, aquele que também “detém a chave para evitar os piores efeitos das alterações climáticas”, como se pode ler num relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE).

O facto destes países continuarem a produzir combustíveis fósseis está completamente no ponto oposto do que seria ideal para o combate ao aquecimento global e para prevenir os impactos destas alterações climáticas, tal como já alertaram os ativistas ambientais.

O Climate Action Tracker, que classifica as políticas, ações e objetivos dos mais variados países, classificou os compromissos da Arábia Saudita como “criticamente insuficientes” e os dos EAU como “insuficientes”. Aliás, a opinião da maioria dos ativistas ambientais é que as promessas continuam a ficar muito aquém do que é realmente necessário.

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Segundo a opinião de diversos ativistas, mas também de alguns analistas, os compromissos anunciados não passam por um afastamento significativo dos combustíveis fósseis por parte dos seus maiores produtores, uma vez que estes consideram este tipo de solução como crucial para as próximas décadas.

A Arábia Saudita pretende gerar, de uma forma sustentável, metade da sua energia doméstica até ao ano 2030 e já tem em funcionamento a sua primeira fábrica de energias renováveis e o seu primeiro parque eólico. Ao mesmo tempo, os Emirados Árabes Unidos, investiram em energia nuclear e num sistema de transporte sustentável.

No entanto, são estes dois países que afirmaram recentemente, de acordo com notícias do The Economic Times que não conseguem alcançar a neutralidade carbónica se deixarem de produzir petróleo, uma vez que “este é um importante contributo para o perigoso aquecimento global”.

 

[Fotos: D. Rodrigo, R. Prekura, E. Osmanoglu / Unsplash)

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