Sustentabilidade

Crescimento das cidades tem grande impacto nas alterações climáticas

Cientistas consideram que não se dá atenção ao impacto para o planeta da expansão urbana
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Poluição em Chicago, nos Estados Unidos (foto: Claire Savage/AP)
Poluição em Chicago, nos Estados Unidos (foto: Claire Savage/AP)

Cientistas das Universidades de Bristol, Oxford e Yale apelaram, num trabalho conjunto, para mudanças na governação global visando enfrentar o impacto “devastador” da expansão urbana nas alterações climáticas e evitar uma “catástrofe planetária”.

Num artigo publicado na revista científica Science, os investigadores consideram que a questão da urbanização não tem tido a atenção necessária, os cientistas que poderiam dar informações importantes ou sugerir soluções inovadoras não são consultados de forma sistemática e o assunto raramente é discutido nos fóruns globais de elaboração de políticas, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Assim, propõem um novo sistema de aconselhamento global, que teria uma função semelhante à do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas.

O “sistema de aconselhamento em Ciência Urbana” trabalharia em conjunto com a Assembleia Geral da ONU para destacar questões relevantes e colocar as informações mais recentes sobre o impacto do crescimento urbano nos radares dos líderes políticos.

"As alterações climáticas alcançaram grande atenção global, mas há um enorme ‘ponto cego’ quando se trata de olhar para o impacto devastador que o vasto crescimento urbano tem no planeta”, disse a autora principal do trabalho, Jessica Espey, especialista em governança internacional do desenvolvimento sustentável na Universidade de Bristol, citada no ‘site’ Phys.org.

Roma - AWAY
Cidades continuam em crescimento (foto: Levi Ari/Unsplash)

“É fundamental uma colaboração internacional muito maior para ajudar a gerir melhor o crescimento sustentável das nossas cidades e proteger os sistemas vitais da Terra, incluindo a água, o ar e a terra, dos quais todos dependemos”, adiantou.

As cidades estão a crescer a um ritmo sem precedentes e são responsáveis por cerca de três quartos das emissões de dióxido de carbono (gases com efeito de estufa).

Mais de metade (55%) da população mundial vive atualmente em cidades e esta proporção deverá aumentar para quase dois terços até 2050, de acordo com um recente Relatório Mundial das Cidades.

Além de agravarem as alterações climáticas e os problemas de qualidade do ar, as cidades também estão a remodelar os quatro principais sistemas da Terra: a hidrosfera, a atmosfera, a biosfera e a geosfera.

A eliminação de resíduos, as emissões prejudiciais da indústria e dos transportes e a expansão urbana contribuem para o declínio da biodiversidade.

Abu Dhabi - AWAY
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (foto: Kamil Rogalinski/Unsplash)

Mesmo as designadas alternativas ecológicas podem ter efeitos prejudiciais. Um bom exemplo são as luzes LED que apesar de serem energeticamente eficientes, podem levar à supressão da produção de melatonina, a hormona que regula os padrões de sono nos seres humanos e em outros organismos.

"É hora de os líderes mundiais se sentarem e perceberem que combater as alterações climáticas não é possível se não olhamos para a forma como projetamos, construímos, financiamos e gerimos as cidades em todo o mundo”, defendeu Michael Keith, diretor do Peak Urban Research Program da Universidade de Oxford, citado no ‘site’ Phys.org.

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