Mobilidade

Asa de kitesurf adaptada pode poupar até 20% de combustível em barcos

Arrancam em janeiro testes do sistema Seawing, composto por asa capaz de tracionar navios e gerar poupança de combustível e redução de emissões
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Airseas
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Um desporto náutico em que o praticante montado em cima de uma prancha é puxado por uma enorme asa presa ao seu arnês já não é novidade. Chama-se kitesurf e, embora se tenha popularizado nas últimas duas décadas, foi inventado em 1977. O que é, de facto, novidade é aplicar o mesmo princípio a navios de grande porte.

Quem está a fazê-lo é a empresa francesa Airseas, criada há apenas cinco anos por elementos oriundos do fabricante de aviões Airbus, empresa que é, aliás, um dos principais acionistas da primeira, para além de lhe ceder recursos ao nível da computação, dos meios de fabrico e da testagem.

É num navio fretado pela Airbus que a Airseas instalou a sua primeira asa de tamanho médio, para desenvolver uma série de testes com a duração de seis meses, já a partir de janeiro. O objetivo? Poupar combustível e reduzir as emissões de CO2.

O Ville de Bordeaux, um cargueiro de 30 milhões de dólares com 154 metros (505 pés), está ao serviço da Airbus para o transporte de grandes estruturas de aeronaves entre as suas fábricas na Europa e a unidade de montagem final, em Toulouse, França. Está agora equipado com o sistema Seawing, composto por uma asa (“kite”) de 500 m2 e todos os restantes componentes que garantem o seu funcionamento.

O acionamento do sistema dá-se de forma automática, assim que a frase “lançamento do Seawing recomendado” aparece no ecrã de controlo e o capitão pressiona o botão “ON”. A asa é transportada por um carrinho até ao convés, onde é içada através de um mastro, sendo então libertada para ficar exposta aos ventos fortes, 200 m acima do nível do mar. A partir desse momento, o Seawing inicia uma trajetória em forma de oito, a uma velocidade superior a 100 km/h.

A sua monitorização e controlo é assegurada por um sistema automatizado, programado para colocar a asa em posição de máxima tração, em conjugação com o sistema de navegação do próprio navio. Através da constante análise dos ventos em rota, o Seawing encaminha-o para o trajeto mais eficiente, sem que isso afete o seu tempo de chegada ao destino.

Com este inovador sistema, ou melhor, com o que entrará em produção em série, o qual integra a asa de tamanho completo (1000 m2), a Airseas diz que são obtidas poupanças de combustível e de emissões na ordem dos 20%, o que é um valor muito significativo quando falamos de navios de grande porte.

A empresa de origem francesa garante ainda que o Seawing pode ser adaptado a praticamente todos os tipos de navios, sendo necessários apenas cerca de dois dias para a sua montagem e sem que tal interfira nas normais operações de carga no porto.

(Fotos: Airseas e A. Rozetsky/Unsplash)

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