Mobilidade

Emissões zero nos transportes em Lisboa em 2030. O que é preciso?

Estudo revela que Lisboa tem de acelerar para chegar a emissões zero nos transportes até 2030
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Poluição na Avenida da Liberdade, em Lisboa (foto: Hans Porochelt/Flickr)
Poluição na Avenida da Liberdade, em Lisboa (foto: Hans Porochelt/Flickr)

Lisboa tem de acelerar nas medidas de mobilidade sustentável para chegar a 2030 com emissões zero no setor dos transportes, segundo um estudo europeu divulgado hoje pela associação Zero, no qual cerca de 35 cidades europeias obtiveram baixa classificação. Lisboa, a única cidade portuguesa avaliada no estudo, obteve uma classificação geral de 49,8% e está no 10.º lugar da seriação.

A Zero está preocupada com a avaliação da cidade de Lisboa, “que denota um contínuo foco na individualização dos transportes urbanos” e, tal como outras cidades europeias, não se está a preparar para uma mobilidade sustentável.

O estudo foi feito no âmbito da Campanha Cidades Limpas, uma coligação de organizações europeias de que a ZERO faz parte, e que pretende intensificar o combate às alterações climáticas, à poluição do ar e à pobreza de mobilidade, com o objetivo de alcançar uma mobilidade urbana com praticamente zero emissões até ao final da década.

A coligação apresentou o ponto da situação face às soluções de mobilidade partilhada e de emissões zero existentes em 42 cidades europeias, incluindo Lisboa.

Para estes resultados, o estudo mediu o desempenho das cidades numa escala de 0 a 100% em quatro indicadores quantitativos que refletem o estado atual da mobilidade partilhada e de emissões zero em cada uma das cidades, nomeadamente das bicicletas e trotinetes partilhadas, dos automóveis elétricos partilhados, dos autocarros emissões zero e das infraestruturas para carregamento de veículos elétricos.

A capital portuguesa destaca-se pela positiva pela ampla oferta de trotinetes e bicicletas partilhadas e pelas infraestruturas de carregamento para automóveis elétricos.

“Já nos indicadores de automóveis elétricos partilhados (que representam a disponibilidade de aluguer de carros elétricos partilhados a partir do número total destes veículos) e autocarros emissões zero (medido através da incorporação relativa de autocarros 100% elétricos na frota total de autocarros na cidade), Lisboa classifica muito mal ou mal”, destacou a Zero, mostrando-se preocupada “na medida em que a mobilidade numa cidade como Lisboa tem de estar estruturada em torno dos meios tradicionais de transporte público”.

lisboa - away
Lisboa (foto: Arquivo AWAY)

A Zero destacou ainda que a mobilidade suave é importante no transporte urbano, mas “é um complemento ao transporte público tradicional e não um substituto, e não pode servir para tapar buracos do transporte público nem para evitar o investimento em infraestruturas ou em meios de transporte”.

Em relação a autocarros emissões zero em Lisboa, no final do primeiro trimestre de 2023, a Carris “apenas possuía na sua frota um total de 15 autocarros elétricos, ou seja, 2,3% do total da frota”, sublinhou.

O estudo “permite concluir que não só Lisboa, mas todas as cidades analisadas, precisam de fazer melhorias significativas no seu sistema de transportes para conseguirem alcançar uma mobilidade com emissões zero até 2030”.

A cidade de Copenhaga, na Dinamarca, ficou em primeiro lugar na classificação geral, com uma pontuação de 86,5%, e é considerada um exemplo em termos de bons resultados e no bom caminho para uma mobilidade descarbonizada em 2030.

Na lista de bons exemplos seguem-se as cidades de Oslo (81,3%) e Paris (69,5%), cidades que já haviam ocupado o top cinco da seriação efetuada em 2022. No final da classificação geral está a área metropolitana de Manchester (8,3%) seguida de perto por Dublin (8,8%).

“O estudo mostra que, em geral, as cidades precisam de melhorar muito nos indicadores avaliados, pois 35 cidades apresentam uma classificação C ou pior na escala de classes de A-F”, salientou a Zero.

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