Sustentabilidade

Seca e temperatura elevada coloca produção de vinho do Douro em perigo

A cerca de dois meses do tradicional período das vindimas, teme-se uma quebra considerável na produção causada pelo clima severo
Douro (Foto: M. Kaharlytskyi/ Unsplash)
Douro (Foto: M. Kaharlytskyi/ Unsplash)

A situação de seca que se verifica em Portugal continental, a somar às temperaturas extremamente elevadas das últimas semanas, já está a ter consequências na região do Douro, sendo expectável uma quebra assinalável na produção de vinho na próxima vindima.

A previsão é da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), considerando as condições meteorológicas que se têm sentido, que resultam na falta de água e no consequente stress hídrico da videira, como é designado.

Fenómenos como o desavinho – abortamento das flores das videiras que impede a formação completa dos frutos – e a menor expansão das folhas e da dimensão dos bagos já estão a verificar-se, causados pelas altas temperaturas, segundo a ADVID.

Relativamente à quantidade de vinho que irá ser produzido na vindima de 2022, não há ainda muitas certezas. Pelo contrário, as previsões ainda recentemente feitas pela associação correm o risco de pecar por excesso, tendo em conta o agravamento das condições climatéricas.

Se inicialmente a ADVID apontava para uma produção de entre 262 mil a 287 mil pipas de vinho, a previsão mais recente é que não se atinja sequer o valor mínimo. Em 2021, a produção declarada de vinho no Douro atingiu as 264 mil pipas.

Rosa Amador, diretora-geral da ADVID, considera que em 2017 as previsões eram semelhantes a 2022. Nesse ano a produção de vinho foi de 232 mil pipas, quando as perspetivas iniciais apontavam para 255 mil pipas.

Segundo a responsável, tudo fazia prever que 2022 seria um bom ano para o vinho do Douro, não se tendo registado problemas a nível de doenças e pragas na vinha. Contudo, as condições mais adversas verificadas entre junho e julho, a juntar ao inverno e primavera secos, podem ter deitado tudo a perder.

Tendo em conta o tempo que falta até à vindima, a ADVID considera ser ainda muito difícil fazer a previsão de qual será a quebra na produção de vinho do Douro.

(Fotos: S. Gumerova e M. Kaharlytskiy/ Unsplash)

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