Sustentabilidade

Cartier acusada de greenwashing por usar imagem de povo indígena

Cartier tinha no seu site imagem de crianças Yanomami, um povo muito afetado pela mineração ilegal de ouro
Texto
Cartier (foto: Bebeto Matthews/AP)
Cartier (foto: Bebeto Matthews/AP)

A Cartier, uma das marcas de joias de luxo mais conhecidas do mundo, está a ser alvo de críticas por utilizar imagens dos Yanomami, um povo indígena afetado pela mineração ilegal de ouro que vive no Brasil e na Venezuela. A empresa está a ser acusada de greenwashing.

Até recentemente, a marca francesa tinha no seu website imagens de crianças Yanomami a brincar num campo verde, referindo que estava a trabalhar para promover a cultura indígena e proteger a Amazónia, a floresta tropical onde o povo vive.

No entanto, o projeto nunca avançou e as fotografias foram publicadas sem autorização formal dos líderes Yanomami, algo que viola os direitos do povo ao consentimento prévio, live e informado, segundo o Conselho Indígena de Roraima, refere a AP.

Yanomami - AWAY
Povo indígena Yanomami (foto: Matias Delacroix/AP)

A Cartier, sendo uma empresa que trabalha com ouro e que estar a usar a imagem de um povo altamente afetado pela mineração ilegal do metal precioso, está a ser acusada de fazer greenwashing, ou seja, de promover a sua imagem apoiando uma causa.

Depois de contactada pela AP, a Cartier retirou a foto e a descrição do projeto do seu website e comunicou que os fundos que seriam para a preservação da floresta foram usados para combater a covid-19 entre os Yanomami. A empresa pediu ainda desculpa pelo “descuido lamentável” devido à “descrição imprecisa”.

Mineração ilegal - AWAY
Mineração ilegal em território dos Yanomami (foto: Edmar Barros/AP)

Apesar de a Cartier estar ligada aos Yanomami há cerca de 20 anos, especialmente através da Fondation Cartier, há cada vez mais críticas por parte do povo e dos seus defensores.

Há quem acredite que o patrocínio da marca de luxo aos Yanomami é uma forma de polir a sua imagem.

A Cartier tem afirmado que não compra ouro extraído de forma ilegal, mas ainda assim os Yanomami pedem às pessoas para não comprar peças neste material precioso já que o aumento de procura leva a um aumento de preço, o que faz com que haja mais mineração no seu território.

O povo indígena Yanomami tem sido altamente afetado pela mineração de ouro na sua área. O mercúrio usado nas explorações provoca defeitos congénitos e destrói ecossistemas. O álcool e drogas levado pelos garimpeiros (exploradores de minerais) ilegais têm levado ao surgimento de doenças, assassinatos e prostituição.

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