Fantástico

Linha de cerâmica ganha cor com partículas do ar e alerta para poluição

Partículas poluentes são recolhidas de zonas com muito trânsito e depois usadas para dar cor às peças da Smogware
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Os alertas sobre a poluição são muitos e constantes. Fala-se sobre partículas poluentes e gases com efeito de estufa e sobre o impacto que têm para a saúde. Ainda assim, nem sempre é fácil trazer os dados abstratos para a nossa realidade. Com o objetivo de dar corpo à poluição, uma arquiteta e uma designer neerlandesas criaram uma linha de cerâmica que ganha cor com pó.

Foi em 2017 que Iris de Kievith e Annemarie Piscaer decidiram avançar com o projeto que se tornou o Smogware. A ideia era simples: utilizar partículas poluentes normalmente produzidas pelo ser humano nas suas atividades do dia a dia para dar cor a peças de cerâmica.

Foram as escolhidas as PM10 que, apesar de não serem as que têm maior impacto na nossa saúde – normalmente as PM2,5 são apontadas como mais perigosas –, têm um tamanho que permite que sejam recolhidas. Estas partículas de 10 micrómetros de diâmetro (unidade mais pequena do que o milímetro) são encontradas em zonas de muito trânsito.

O projeto nasceu em Roterdão, cidade de onde Iris e Annemarie são oriundas. Foi aqui, perto de zonas de estrada, que começaram a recolher as partículas usando dois métodos: um húmido, usado em zonas com menor quantidade de partículas, e outro seco.

A partir daqui, foi criar as peças cerâmicas e, com ajuda do esmalte e do pó, dar-lhes cor. Apesar de serem coloridas com poluição, depois de irem ao forno, as artistas dizem que é seguro utilizar estas peças no dia a dia. O processo pode ser visto no vídeo abaixo (em inglês).

 

Diferentes quantidades de poluição dão diferentes cores

As partículas são sempre as PM10, mas os tons que se alcançam na coleção Smogware vão desde um bege muito suave até um castanho escuro, quase preto. A variação de cor não é inusitada.

A quantidade de pó utilizada nas peças varia conforme a quantidade que é inalada por uma pessoa que viva na zona de recolha ao longo de 10, 25, 45, 65 ou 85 anos.

Cada peça é depois marcada com um código com esta informação. Por exemplo, uma peça que diga RTM 45 quer dizer que tem partículas recolhidas em Roterdão equivalentes ao que uma pessoa irá respirar durante 45 anos.

Smogware chega a outras cidades do mundo

Começou em Roterdão, mas o projeto Smogware já não está apenas dentro dos limites desta cidade. Amesterdão, Berlim, Londres, Milão, Jakarta ou Beijing são algumas das cidades onde já se fez a recolha das partículas para criar peças de cerâmica.

A ideia é dar forma à poluição de outras cidades porque, de acordo com o divulgado, partículas recolhidas em diferentes zonas dão cores e texturas diferentes às peças de mesa.

Há já estúdios de cerâmica Smogware em várias zonas do mundo e o objetivo é chegar a ainda mais sítios. Isto a curto prazo. Porque a médio prazo, as artistas Iris e Annemarie querem ver a Smogware perder a pertinência à medida que o ar fica mais limpo e a quantidade de PM10 se torne residual ou mesmo inexistente.

(Fotos: Smogware / Roel van Tour)

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