Sustentabilidade

Tecnologia inovadora permite extrair lítio de forma mais sustentável

A atividade de exploração mineira tem devastado ecossistemas um pouco por todo o mundo e uma nova tecnologia pode ser a solução
Exploração de lítio no Deserto de Atacama, Chile (Imagens NASA)
Exploração de lítio no Deserto de Atacama, Chile (Imagens NASA)
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Olha à tua volta: quantas coisas tens com bateria? O telemóvel, um tablet, uns headphones, talvez até o teu carro. Todos os dias, contamos com baterias a lítio para dar energia aos gadgets e veículos que usamos. E com os governos a quererem acabar com a venda de carros a combustível fóssil, a procura por lítio para baterias nunca esteve tão elevada.

Segundo a Quercus, estima-se que existam, no planeta, cerca de 39 milhões de toneladas de lítio. No entanto, apenas um terço pode ser extraído. A extração do lítio, que normalmente encontra-se em rochas duras ou na salmoura, é um processo demorado e, pior do que isso, tem um grande impacto ambiental.

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Imagens captadas pela NASA, há cerca de três anos e divulgadas pelo Earth Observatory, mostram o deserto do Atacama, no Chile, onde a atividade de exploração mineira é um problema para o ecossistema e para as comunidades locais.

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Exploração mineira no Deserto do Atacama, Chile (Imagem: NASA/Direitos Reservados)

Tradicionalmente, para a mineração de lítio, é necessário fazer-se grandes buracos para se extrair a salmoura – uma mistura de água com cloreto de sódio que costuma estar vários metros debaixo da terra. De seguida, este líquido carregado de lítio é puxado para a superfície, para grandes piscinas de evaporação, onde fica durante meses. Assim que a salmoura atinge um nível de saturação de lítio ideal, começa-se a fazer a extração em instalações próprias.

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A Lilac Solutions é uma start-up americana de tecnologia de extração de lítio e encontrou uma solução mais eficiente, mais barata e, acima de tudo, com uma muito menor pegada ecológica.

Lago de vapor de exploração de litio em Clayton Valley, Nevada - EUA (Imagem: CreDoc Searls)

A empresa criou um composto tipo resina, moldado em forma esférica, semelhante a grãos de um milímetro, de material duro, cerâmico e poroso, que permite a troca de iões e a captação de lítio.

Para a extração de lítio, as esferas são depositadas em tanques que depois são enchidos com salmoura. À medida que as esferas entram em contacto com a salmoura, absorvem o lítio até ficarem saturadas. A salmoura é devolvida à terra e o lítio é retirado das esferas com ajuda de ácido clorídrico e tratado para ser vendido para baterias.

As esferas podem ser reutilizadas centenas de vezes. Quando deixam de absorver o lítio, são derretidas e o material é usado para fazer novas.

Imagem/captura Lilac Solutions

O trabalho que a Lilac Solutions tem feito na área tem chamado a atenção de várias grandes empresas e, só este ano, já obtiveram 170 milhões de dólares (cerca de 146 milhões de euros) de investimento.

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Em fevereiro, receberam 20 milhões de dólares (cerca de 17 milhões de euros) dos fundos Breakthrough Energy Ventures, comandado por Bill Gates, e The Engine Fund, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts [MIT]. Este mês, receberem 150 milhões de dólares (cerca de 129 milhões de euros) de vários investidores, incluindo a Lowercarbon Capital, um fundo de pesquisa que investe em tecnologia para reduzir o CO2 na atmosfera, e o fundo de investimento T.Rowe Price.

Face à procura do mercado e de forma a conseguir levar a nova tecnologia a várias partes do mundo, a start-up vai usar o investimento que recebeu para aumentar a produção das esferas de trocas de iões e aumentar a equipa de engenheiros e de técnicos de campo.

Nota: Imagens NASA de Lauren Dauphin (EO), usando dados do Landsat (US Geological Survey), direitos reservados

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