A ideia de entrar num carro e chegar ao destino sem ninguém ao volante está cada vez mais próxima de se tornar realidade. A XPENG, fabricante chinesa de veículos elétricos, recebeu autorização para realizar operações de demonstração de Robotáxis com condução autónoma de Nível 4 em toda a cidade de Guangzhou, na China. A empresa quer agora transformar a tecnologia num negócio e admite que a experiência poderá abrir caminho à expansão internacional, incluindo na Europa.
Chamar um táxi através do telemóvel e encontrar um automóvel sem condutor à espera pode parecer uma realidade distante. Mas é esse cenário que a XPENG está a preparar.
A fabricante chinesa anunciou esta quarta-feira, 4 de novembro, ter recebido autorização para realizar operações de demonstração de veículos inteligentes e conectados em Guangzhou, uma das principais cidades da China. Na prática, a aprovação permite à empresa testar Robotáxis com condução autónoma de Nível 4 (L4) em toda a cidade.
Não se trata apenas de colocar um automóvel a circular sem intervenção humana. O objetivo é perceber se toda a operação consegue funcionar em contexto real: desde a receção dos pedidos dos passageiros à gestão da frota, passando pela recolha de clientes e pela resposta a situações imprevistas.
É uma etapa importante para a XPENG, que pretende passar da validação tecnológica para a construção de um modelo de negócio capaz de ser replicado noutros mercados.
O que são os Robotáxis e o que significa condução autónoma de Nível 4?
Ao contrário dos automóveis com sistemas de assistência à condução, que continuam a exigir que o condutor esteja atento e preparado para intervir, os veículos de Nível 4 são concebidos para realizar todas as tarefas de condução sem intervenção humana dentro das condições e áreas para as quais estão autorizados.
Isto significa que o veículo consegue conduzir de forma autónoma em determinadas condições operacionais, sem depender de um condutor humano para assumir o controlo durante a viagem. Não significa, porém, que consiga circular autonomamente em qualquer estrada, clima ou circunstância.
É precisamente esta capacidade que a XPENG pretende testar em Guangzhou. Numa primeira fase, o acesso ao serviço será gradual e feito através de códigos de convite. A empresa vai utilizar a procura real para aperfeiçoar a gestão das viaturas, os tempos de resposta e a eficiência de toda a operação, mantendo a segurança como prioridade.
XPENG YOYO: a marca quer transformar os Robotáxis num negócio
O projeto já tem nome. Em outubro, a XPENG anunciou oficialmente a designação XPENG YOYO para a sua marca de Robotáxis e abriu o registo público, na China, para utilização dos serviços de condução autónoma.
Mas a estratégia da empresa vai além da operação de uma frota própria de veículos.
He Xiaopeng, presidente e diretor executivo da XPENG, já explicou que a ambição passa por assumir um papel de fornecedora de tecnologia e facilitadora de ecossistemas, em vez de gerir diretamente grandes frotas de Robotáxis.
O modelo de negócio prevê disponibilizar soluções integradas a parceiros internacionais, combinando veículos, software de condução autónoma e Inteligência Artificial. As receitas poderão resultar da venda de hardware, da prestação de serviços tecnológicos e da partilha de comissões.
Na prática, a XPENG quer fornecer a tecnologia que permite colocar estes serviços a funcionar, trabalhando em conjunto com empresas e plataformas de mobilidade.
Quatro processadores de Inteligência Artificial e 3.000 TOPS
Por detrás deste projeto está uma arquitetura tecnológica desenvolvida internamente pela fabricante chinesa.
Segundo a XPENG, os Robotáxis estão equipados com quatro processadores de Inteligência Artificial Turing, que disponibilizam uma capacidade de processamento conjunta de 3.000 TOPS, e utilizam o modelo VLA 2.0.
TOPS significa «triliões de operações por segundo» e é uma unidade utilizada para medir a capacidade de processamento de sistemas de Inteligência Artificial. Neste caso, a marca apresenta esta capacidade como uma das bases tecnológicas para a condução autónoma de Nível 4.
A fabricante aposta também na reutilização de componentes e modelos da sua arquitetura tecnológica, procurando reduzir a necessidade de desenvolver soluções de raiz para cada ambiente e facilitar a adaptação dos veículos a diferentes condições de circulação.
E quando chegam os Robotáxis à Europa?
É uma das questões mais interessantes para o futuro do projeto. A XPENG afirma estar numa fase avançada de negociações com algumas das principais plataformas europeias de mobilidade. A experiência adquirida em Guangzhou deverá servir de base à implementação das soluções noutros mercados, embora adaptadas às características e exigências de cada país.
Para já, a autorização agora anunciada diz respeito às operações de demonstração na cidade chinesa. Não existe ainda uma data anunciada para o lançamento de um serviço de Robotáxis da XPENG em Portugal ou noutros países europeus.
A expansão internacional dependerá também da capacidade de adaptação tecnológica, das regras de circulação e dos processos de autorização em cada mercado.
O desafio não é apenas fazer um automóvel conduzir sozinho. É garantir que consegue transportar passageiros com segurança, responder a imprevistos e funcionar como parte de um serviço de mobilidade eficiente.
Com Guangzhou como primeira cidade-piloto, a XPENG quer provar que os Robotáxis podem deixar de ser apenas uma demonstração tecnológica e tornar-se uma solução de transporte. E, se o projeto cumprir os objetivos da fabricante, o futuro dos táxis poderá estar prestes a mudar.