Mobilidade

Vai viajar de avião no Natal? Há um ranking das companhias aéreas menos fiáveis para o fazer: e a pior de todas é portuguesa

Um estudo a 28 companhias aéreas europeias revela que a Azores Airlines foi a menos fiável no Natal de 2025. A TAP, pelo contrário, entrou no top 10
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Aviões da Easyjet
Aviões da Easyjet Fotos: easyJet - geradas por IA

Um estudo sobre a pontualidade e os cancelamentos de 28 companhias aéreas europeias revela que a Azores Airlines registou a maior taxa de perturbações no Natal de 2025. A TAP ficou em 10.º lugar entre as transportadoras mais fiáveis.

Viajar no Natal pode ser sinónimo de reencontros, férias e momentos em família. Mas, para muitos passageiros, a época festiva também pode trazer atrasos, cancelamentos e planos de viagem comprometidos. E há companhias aéreas que parecem ter mais dificuldades do que outras em garantir que os passageiros chegam ao destino a horas.

De acordo com um estudo divulgado pela AirAdvisor, que analisou o desempenho de 28 companhias aéreas europeias durante os períodos de Natal de 2024 e 2025, a SATA Internacional, que opera sob a marca Azores Airlines, foi a transportadora com a maior taxa de perturbações no Natal do último ano.

No sentido oposto, a TAP Air Portugal conseguiu entrar no ranking das dez companhias aéreas mais fiáveis, ocupando a 10.ª posição.

O estudo revela ainda uma tendência pouco animadora para quem viaja nesta altura do ano: 24 das 28 companhias analisadas registaram um agravamento da fiabilidade no Natal de 2025, face ao período homólogo de 2024.

Azores Airlines registou a maior taxa de perturbações

A SATA Internacional lidera a lista das companhias aéreas menos fiáveis da Europa no Natal de 2025, com uma taxa de perturbação total de 13,45%.

Isto significa que mais de 13% dos voos analisados da companhia registaram um atraso de pelo menos uma hora à chegada ou foram cancelados. A taxa é mais de 2,6 vezes superior à da Vueling, que lidera o ranking das transportadoras mais fiáveis, com apenas 5,16%.

O principal problema da Azores Airlines foram os atrasos prolongados: 13,32% dos voos chegaram ao destino com pelo menos 60 minutos de atraso. Já a taxa de cancelamentos foi bastante inferior, situando-se nos 0,13%.

Mas há outro dado que merece destaque. A SATA foi também a companhia aérea que mais piorou de um Natal para o outro. A sua taxa de perturbação passou de 5,78%, em 2024, para 13,45%, em 2025, o que representa um aumento de 7,67 pontos percentuais.

Entre as companhias com piores resultados surgem ainda:

  • easyJet UK: segunda posição entre as menos fiáveis, com uma taxa de perturbação de 12,62%.

  • Virgin Atlantic: 12,14% dos voos registaram atrasos prolongados ou foram cancelados.

  • Wizz Air: uma taxa de perturbação de 11,60%.

  • Aer Lingus: fecha o top 5 das menos fiáveis, com 11,51%.

A KLM destaca-se por outro indicador: registou uma taxa de cancelamento de 3%, a mais elevada entre as 28 companhias aéreas analisadas.

TAP entre as dez companhias aéreas mais fiáveis

Apesar do agravamento generalizado da pontualidade no setor, a TAP Air Portugal conseguiu posicionar-se entre as dez companhias aéreas europeias com melhor desempenho no Natal de 2025.

A transportadora portuguesa ocupa o 10.º lugar, com uma taxa de perturbação de 8,28%. Segundo os dados do estudo, 8,30% dos voos partiram com pelo menos uma hora de atraso, enquanto 7,38% chegaram ao destino com um atraso igual ou superior a 60 minutos. A taxa de cancelamentos foi de 0,90%.

No topo da classificação está a espanhola Vueling, com uma taxa de perturbação de 5,16%, seguida da Transavia France (5,19%) e da Air Europa (5,49%).

A presença de três companhias espanholas entre as quatro primeiras posições é outro dos destaques do estudo, com a Iberia a ocupar o quarto lugar, com 6,03%.

As dez companhias aéreas mais fiáveis no Natal de 2025

  • Vueling – 5,16%

  • Transavia France – 5,19%

  • Air Europa – 5,49%

  • Iberia – 6,03%

  • ITA Airways – 6,16%

  • Turkish Airlines – 6,82%

  • SWISS – 6,94%

  • Finnair – 7,76%

  • Aegean Airlines – 7,78%

  • TAP Air Portugal – 8,28%

Fonte: AirAdvisor. A classificação considera a taxa de chegadas com pelo menos 60 minutos de atraso e os cancelamentos.

Apenas quatro companhias melhoraram de um Natal para o outro

A comparação entre os dois períodos analisados mostra que a deterioração da fiabilidade não foi um caso isolado. Das 28 companhias aéreas incluídas no estudo, apenas quatro conseguiram reduzir a respetiva taxa de perturbação no Natal de 2025.

A maior melhoria pertence à easyJet UK, cuja taxa passou de 15,23% para 12,62%, uma redução de 2,61 pontos percentuais. Ainda assim, a companhia continua a ocupar o segundo lugar entre as menos fiáveis.

A Finnair e a Ryanair também melhoraram os resultados, com reduções de 1,27 e 1,14 pontos percentuais, respetivamente. A British Airways completa o grupo, com uma melhoria de 0,42 pontos percentuais.

Do lado oposto, além da SATA Internacional, a Virgin Atlantic e a LOT Polish Airlines registaram alguns dos maiores agravamentos:

  • SATA Internacional: aumento de 7,67 pontos percentuais

  • Virgin Atlantic: aumento de 6,44 pontos percentuais

  • LOT Polish Airlines: aumento de 5,91 pontos percentuais

  • Wizz Air: aumento de 5,41 pontos percentuais

  • Wizz Air Malta: aumento de 4,62 pontos percentuais

Os resultados mostram que escolher uma companhia aérea apenas pelo preço do bilhete pode não ser suficiente, sobretudo numa altura do ano em que um atraso significativo pode comprometer ligações, planos familiares ou reservas já pagas.

Voos atrasados ou cancelados no Natal? Saiba quando pode ter direito a indemnização

Para além de conhecer a fiabilidade das companhias aéreas, importa também saber quais são os direitos dos passageiros quando uma viagem não corre como previsto.

Ao abrigo do Regulamento (CE) n.º 261/2004, os passageiros podem ter direito a uma indemnização quando chegam ao destino final com três ou mais horas de atraso, ou quando o voo é cancelado com menos de 14 dias de antecedência, desde que estejam reunidas as condições legais e a perturbação seja imputável à companhia aérea.

Os valores da compensação dependem da distância do voo:

  • 250 euros: voos até 1.500 quilómetros.

  • 400 euros: voos entre 1.500 e 3.500 quilómetros.

  • 300 euros: voos com mais de 3.500 quilómetros, quando o atraso à chegada é de três a quatro horas.

  • 600 euros: voos com mais de 3.500 quilómetros, quando o atraso à chegada é de quatro horas ou mais.

É importante ter em conta que nem todos os atrasos ou cancelamentos dão automaticamente direito a indemnização. Circunstâncias extraordinárias, como determinadas situações meteorológicas severas, podem excluir a obrigação de compensação por parte da transportadora.

Ainda assim, os passageiros podem ter direito a assistência, nomeadamente refeições, bebidas e alojamento, quando necessário e nos termos previstos na legislação.

Se tiver um voo atrasado ou cancelado, é aconselhável guardar toda a documentação relacionada com a viagem, incluindo:

  • Confirmação da reserva e bilhete eletrónico;

  • Cartões de embarque;

  • Comunicações enviadas pela companhia aérea;

  • Recibos de despesas adicionais, como refeições, transportes ou alojamento.

A AirAdvisor disponibiliza ainda uma ferramenta online para os passageiros verificarem se poderão ter direito a indemnização por problemas com os seus voos.

Como foi feito o estudo?

A análise da AirAdvisor comparou o desempenho de 28 companhias aéreas europeias em dois períodos: de 15 de dezembro de 2024 a 5 de janeiro de 2025 e de 15 de dezembro de 2025 a 5 de janeiro de 2026, incluindo ambas as datas.

Foram consideradas companhias aéreas do Reino Unido, da União Europeia e de outros países europeus, incluindo a Turquia, com pelo menos 5.000 voos registados em cada um dos períodos analisados.

A classificação teve por base a soma da percentagem de voos que chegaram ao destino com pelo menos 60 minutos de atraso e da percentagem de voos cancelados. Os atrasos à partida foram apresentados separadamente, para evitar contabilizar duas vezes a mesma perturbação.

A AirAdvisor ressalva que as variações entre os dois anos devem ser interpretadas tendo em conta eventuais diferenças na cobertura dos voos e nas condições de operação.

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