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TAP vai pagar seis mil euros por ano por cada BMW entregue às chefias

Empresa envia email interno e garante que nova frota permite “poupar o máximo possível, cumprindo ao mesmo tempo as obrigações legais para com os nossos gestores”.
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Airbus 320 da TAP, semelhante ao que foi implicado num "incidente grave" em Copenhaga (fonte: Getty)
Airbus 320 da TAP, semelhante ao que foi implicado num "incidente grave" em Copenhaga (fonte: Getty)

A Comissão Executiva da TAP garante que a nova frota automóvel, constituída por BMW, vai permitir poupar em relação a cenários alternativos. Num email interno, a empresa divulga que vai pagar cerca de 500 euros de renda mensal por cada automóvel, ou seja, cerca de seis mil euros por ano.

O email interno, a que tivemos acesso, surge em resposta à notícia avançada pela TVI e Away esta terça-feira à noite, de que a “TAP encomenda dezenas de BMW enquanto recebe dinheiro do Estado”, automóveis que têm valores de mercado acima dos 52 e dos 66 mil euros, conforme os modelos: Série 5, X3 e X2.

Assinado pelos cinco membros da Comissão Executiva, o email intitula-se “Nova Frota Automóvel permite poupar até 630 mil euros/ano”.

“Com a opção que fizemos, estamos a poupar anualmente até 630 mil euros, [face a] se tivéssemos mantido os carros que temos hoje", justifica a empresa. A decisão "teve assim um racional de poupança, cumprindo ao mesmo tempo os contratos estabelecidos com os gestores que incluem uma viatura de serviço”.

Poupança de 630 mil euros?

Os 630 mil euros não são, repare-se, o que a empresa vai poupar em relação ao que pagava até aqui com a sua frota automóvel. Como é explicado pela Comissão Executiva, esse valor é sim o que a empresa poupa face ao que passaria a pagar se quisesse manter os atuais Peugeot no fim dos contratos de “renting”, que estão a chegar ao final.

Tipicamente, os contratos de “renting” prevêem um pagamento mensal pela utilização do veículo, sendo que no fim do contrato as viaturas são devolvidas ou compradas por um valor residual. A CNN Portugal questionou a TAP sobre se os 630 mil euros que a empresa reclama como poupança se referem à eventual compra dos Peugeot no final de contrato, como fica sugerido.

Face ao cenário mais caro de ficar com os Peugeot, supõe-se que comprando-os, a Comissão Executiva explica depois que a opção pelo BMW é que a permite “poupar o máximo possível, cumprindo ao mesmo tempo as obrigações legais para com os nossos gestores”.

Como a TVI avançou ontem e o portal Away mostra, os modelos da BMW em causa (série 5, X3 e X2) são todos plug-in híbridos, logo têm uma fiscalidade mais baixa para empresas do que veículos a diesel. Como escreve a Comissão Executiva, “não havendo outra opção senão celebrar novos contratos, optou-se por viaturas híbridas plug-in, em vez do atual diesel, por motivos ambientais mas, também, pelos benefícios fiscais associados a estas viaturas, menos poluentes.”

Comprar automóveis plug-in híbridos sai mais barato do que modelos a gasóleo.

A empresa quantifica a “poupança” como sendo “superior a 20% do valor mensal da renda e tributação, relativamente a novos contratos de renting para viaturas com características semelhantes às atuais (gasóleo), estando em linha com o plano de reestruturação uma vez que representa o menor custo possível em sede de concurso no mercado.”

Segundo a TAP, a proposta da BMW escolhida “foi a que apresentou o preço mais baixo, com uma renda mensal de 500 euros. Como referência, as outras propostas apresentadas à TAP com valor mais competitivo contemplavam rendas mensais de 750 euros”. Não são discriminadas as outras propostas apresentadas.

“Apesar do impacto que isso possa ter na opinião pública, que sinceramente lamentamos, o nosso principal objetivo com esta decisão foi poupar o máximo possível, cumprindo ao mesmo tempo as obrigações legais para com os nossos gestores”, conclui a Comissão Executiva.  

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