Sustentabilidade

Algas recuperam elementos químicos de telemóveis usados e lixo eletrónico

Processo inovador é da autoria da startup portuguesa N9VE e já lhe valeu uma distinção no âmbito dos Prémios Empreendedor XXI

Amiga do ambiente, de baixo custo, escalável e inovadora. São estas as características da tecnologia desenvolvida pela startup portuguesa N9ve para a recuperação de terras raras – conjunto de elementos químicos que se encontram na natureza, habitualmente agregados a minérios e de difícil extração – do lixo eletrónico, com recurso a macroalgas.

A inovação trazida pela N9ve permitiu-lhe vencer o Born from Knowledge Awards, distinção atribuída pela Agência Nacional de Inovação, no âmbito dos Prémios Empreendedor XXI.

Usadas na produção de turbinas eólicas, telemóveis, computadores e automóveis elétricos, entre outras utilizações para diversas indústrias, as terras raras são consideradas imprescindíveis pelas suas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas ou luminescentes, para além de serem uma matéria-prima essencial com vista à transição para a energia verde.

A tecnologia desenvolvida pela N9ve é inovadora por ser uma alternativa ao habitual processo de extração por mineração, prejudicial ao ambiente.

Para além de ser expetável que as reservas mundiais de terras raras se esgotem em 20 anos (atualmente são de cerca de 120 megatoneladas), a sua atual mineração e produção é altamente poluente para o planeta, já que para se obter cerca de 7 kg destes elementos são produzidas 14 toneladas de lixo tóxico e radioativo.

Para o processo de recuperação de terras raras, a N9ve foca-se no lixo eletrónico, pelo facto de este poder ter concentrações daqueles elementos químicos superiores a 30%, sendo que apenas 18% é reciclado, segundo avança a startup de Aveiro em comunicado. A nova tecnologia permite recuperar elementos como o Neodímio (Nd), o qual representa 91% do consumo global de terras raras.

A alga é utilizada no processo de biossorção dos metais, conseguindo-se recuperar e reciclar mais de 90% dos reagentes utilizados. Um valor bem acima dos 60% que consegue recuperar o processo de mineração, atualmente dominado pela China a nível global.

(Fotos: N9ve)

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