Sustentabilidade

Serias capaz de comer arroz da zona do acidente nuclear de Fukushima?

Na região de Fukushima, no Japão, volta a cultivar-se arroz para ser utilizado em plástico baixo em carbono
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Pode o cultivo de arroz ser introduzido na alimentação ou dar origem a artigos de plástico e ajudar uma cidade a recuperar de uma catástrofe nuclear? Sim, pode, e é precisamente o que está a acontecer em Namie, cidade japonesa na zona onde ocorreu o desastre nuclear de Fukushima.

Doze anos após um terramoto a 11 de março de 2011, seguido de tsunami que destruiu a central de Fukushiima Dajichi, o acidente nuclear continua a deixar marcas nas populações das regiões afetadas pela radiação.

Contudo, há a esperança de um futuro melhor. O Japão já começou a libertar água da central no Oceano Pacífico e recentemente surgiu mais uma revolucionária ideia para dinamizar a economia local e contribuir para a sustentabilidade ambiental.

Produtos feitos com arroz - AWAY
Arroz oriundo de Fukushima transformado pela Biomass Resin, no Japão (foto: UNIDO)

Em toda a zona envolvente a Fukushima, os campos de arroz estão a voltar a ser cultivados por agricultores e cooperativas, ainda que o seu destino (para já) não seja o consumo humano, por receio de poder estar contaminado, mesmo quando especialistas afirmam categoricamente que o cereal ali produzido não representa qualquer perigo para a saúde.

Justamente pelo facto deste arroz ainda não poder ser introduzido na cadeia alimentar, a empresa Biomass Resin, de Tóquio, abriu em Namie uma fábrica para transformar arroz cultivado localmente em pellets, que depois são vendidos a outras empresas que o utilizam no fabrico de talheres de plástico, sacos, recipientes de comida para cadeias de restaurantes, entre outros artigos. A vantagem é que estes artigos apresentam um baixo teor de emissões de carbono.

A ideia explica-se no vídeo abaixo da Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas - UNIDO (com legendas em inglês).

Na prática o arroz é misturado com pequenas contas de plástico, aquecido e amassado antes de ser extrudido em varas finas que são arrefecidas e cortadas em pequenos pellets castanhos.

Embora o plástico final não seja biodegradável, o facto de incorporar entre 50% a 70% de arroz permite reduzir a utilização de produtos petrolíferos e por isso com menor impacto ambiental.

acessórios - AWAY
Talheres e acessórios de plástico feito a partir de arroz de Fukushima (foto: UNIDO)

São, pois, boas notícias para o ambiente, assim como para os naturais de Fukushima, que após o desastre nuclear de 2011 tiveram de abandonar a região em grande número.

O facto de haver compradores assíduos para o arroz aí cultivado é mais uma razão para regressarem. E se um dia tiver autorização para entrar na cadeia alimentar talvez o arroz não termine os dias transformado em plástico.

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