Sustentabilidade

Bill Gates e o clima: bom samaritano ou hipócrita? Bilionário defende-se

Por um lado, apoia e financia projetos para redução das emissões poluentes, por outro, viaja de jato privado. Serão as duas coisas compatíveis?
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Bill Gates no WEF (foto: Vincenzo Pinto/AFP via Getty Images)
Bill Gates no WEF (foto: Vincenzo Pinto/AFP via Getty Images)

Bill Gates, fundador da Microsoft e outrora considerado o homem mais rico do mundo, respondeu recentemente às acusações de ser hipócrita por apoiar campanhas e projetos para combater as alterações climáticas, mas deslocar-se em jatos privados.

Numa entrevista à BBC, citada pela Euronews, Bill Gates abordou o tema das acusações de que é alvo, dizendo que compensa a pegada de carbono da sua família e contribui para soluções para mitigar os problemas de ordem climática.

O milionário americano fez questão de lembrar que financia a Climeworks, uma empresa suíça sediada em Zurique, que se dedica à captura de CO2 na atmosfera e o armazena em depósitos subterrâneos. E não deixou de sublinhar que gasta “milhares de dólares em inovação climática”.

Jato privado - AWAY
Jato privado (foto: C. Leipelt/ Unsplash)

Gates vai mais longe, ao afirmar que é parte da solução e não parte do problema das alterações climáticas. Na entrevista que deu no Quénia, puxou dos galões, ao lembrar que a sua empresa Breakthrough Energy Group “está a gastar milhares de milhões” em inovação em energia sustentável e tecnologias para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

Do outro lado da questão, especialistas asseguram que, em média e por passageiro, uma viagem num jato privado é 10 vezes mais poluente do que realizada num avião comercial e 50 vezes mais do que feita de comboio, em especial porque os níveis de ocupação são tipicamente baixos nos pequenos aviões.

Bill Gates - AWAY
Bill Gates (foto: Evan Vucci/ AP)

Quanto à compensação de carbono pelas emissões produzidas nessas viagens de jato privado, bem… parece que não é tão líquido como Gates quer fazer parecer.

O mercado da compensação de carbono está repleto de projetos de baixa qualidade que fazem previsões vagas ou inflacionadas sobre o seu potencial de redução de emissões e até mesmo o método usado pela Climeworks levanta dúvidas quanto à sua verdadeira eficácia.

A Agência Internacional de Energia adverte que o processo usado pela empresa de Bill Gates é intensivo em termos energéticos e “não uma alternativa à redução de emissões ou uma desculpa para retardar a ação [de combate às alterações climáticas]”.

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