Sustentabilidade

BMW não se compromete a fabricar só carros elétricos, por falta de infraestruturas

Grupo aponta o dedo a países como Itália, pela sua deficiente infraestrutura de mobilidade elétrica atual não permitir estabelecer compromissos mais ambiciosos
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BMW Welt, sede em Munique
BMW Welt, sede em Munique

A BMW está empenhada no tema da mobilidade sustentável e em reduzir de forma significativa as emissões de carbono na sua atividade e deixou isso bem acentuado em declarações via comunicado de imprensa à margem da COP26.

Contudo, o construtor alemão também assegura que não irá abandonar os motores de combustão, enquanto alguns países não criarem condições estruturais que levem à melhoria e expansão das infraestruturas de mobilidade elétrica.

Para 2030 o Grupo BMW já tem traçados alguns objetivos. Reduzir as emissões de CO2 dos seus veículos em, pelo menos, 40% (desde a obtenção de matérias primas, toda a cadeia de abastecimento, fabrico e fase de utilização do veículo, até à sua reciclagem); aumentar a quota de vendas de veículos elétricos para 50%; tornar as gamas das suas marcas Mini e Rolls-Royce em 100% elétricas.

Tais compromissos, no entanto, não significam que o construtor abandone a produção de automóveis movidos a gasolina e gasóleo no espaço de 10 anos.

Oliver Zipse, Presidente Grupo BMW

 

O crescimento da mobilidade elétrica é o fator mais importante no caminho para uma mobilidade neutra do ponto de vista climático. Mas mesmo nos países industrializados, ainda existe um grande obstáculo: a falta de infraestruturas”, salientou Oliver Zipse, presidente do Grupo BMW.

Opinião idêntica tem Thomas Becker, vice-presidente para a sustentabilidade e mobilidade do grupo alemão, que recentemente veio apontar o dedo a países como Itália, por serem os responsáveis pelo facto da transição para a mobilidade elétrica acontecer a um ritmo lento. Ao contrário de marcas como a Mercedes-Benz, a Volvo e a Ford, que se comprometeram a vender apenas veículos elétricos até 2040, através de um acordo assinado na cimeira do clima COP26, o Grupo BMW não está disponível para estabelecer tais compromissos.

Becker salientou o que está a ser feito em alguns países como os Países Baixos ou a Noruega, nos quais existem cerca de sete a nove estações de carregamento público por cada 1000 veículos, o que o leva a antecipar que o grupo só irá vender veículos elétricos aí.

Ao contrário, dá os exemplos de Itália, Roménia e República Checa, como países nos quais a infraestrutura que permite a utilização de automóveis elétricos ainda é muito deficitária.

Para o responsável pela área de sustentabilidade do Grupo BMW, este cenário verifica-se porque há uma falta de liderança política por parte dos governos locais e nacionais. Na sua opinião, a possibilidade de eletrificar totalmente a gama de veículos BMW existe, mas para que tal aconteça é necessário que sejam criadas condições estruturais, que extravasam a esfera de competências da empresa.

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