Sustentabilidade

Há quem não acredite nas alterações climáticas e a culpa é da desinformação

Investigadores e analistas acreditam que campanhas da indústria petrolífera no fim do século XX deixaram marcas que ainda se sentem
Alterações climáticas (Foto: A. Penner/AP)
Alterações climáticas (Foto: A. Penner/AP)

Estão os cientistas a dizer a verdade de cada vez que argumentam sobre as alterações climáticas e as suas principais causas? Talvez possa parecer bizarro, mas a dúvida ainda está instalada numa parte significativa da população e resulta de décadas de desinformação, impulsionada, em grande parte, pela indústria petrolífera.

Para alguns académicos que estudam a temática das alterações climáticas, é chocante perceber que muitas pessoas duvidam das evidências científicas. É o caso de Naomi Oreskes, da Universidade de Harvard, Estados Unidos, que chegou à conclusão de que milhões de americanos acham que os cientistas estão a mentir, até mesmo a respeito de factos supostamente provados.

Segundo a investigadora, citada pela Lusa, os seus conterrâneos foram submetidos a vários anos de desinformação, o que conduziu a uma situação de profunda negação.

Os principais culpados desta situação do ponto de vista da académica? As empresas petrolíferas e carboníferas, que nas décadas de 1980 e 1990, quando o mundo começou a ficar mais sensibilizado para o tema das alterações climáticas, investiram milhões de dólares em campanhas de relações públicas com o objetivo de rebater as provas que sustentavam as mudanças em curso no planeta.

Financiar grupos de reflexão, supostamente independentes, que escolheram dados científicos de forma criteriosa e promoveram opiniões discordantes para fazer parecer que existiam dois lados legítimos na discussão, foi uma das estratégias usadas.

Desde que o impacto das alterações climáticas se tornou mais difícil de negar, e as petrolíferas se voltaram também para a produção de energias renováveis, como a solar e a eólica, a abordagem agressiva com vista à desinformação das populações foi abandonada. Contudo, as sequelas ficaram, acreditam investigadores e analistas.

O debate (artificial) sobre as alterações climáticas, fabricado pela indústria dos combustíveis fósseis, faz com que uma significativa fatia da população americana esteja, cada vez mais, resistente em aceitar o consenso científico de que as alterações climáticas são maioritariamente fruto da poluição causada pelos humanos.

Do outro lado da barricada, as petrolíferas negam qualquer intenção em iludir o público americano. Pelo contrário, mostram total compromisso para com a necessidade de inverter o curso das alterações climáticas, destacando os investimentos que estão a realizar na produção de energias renováveis.

(Fotos: M. Palmer e Noaa/ Unsplash)

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