Sustentabilidade

Estudo comprova que rios e ribeiros estão a ser afetados pela ação humana

Universidade de Coimbra participa em estudo que alerta para problemas como a elevada concentração de nutrientes na água
Impacto do ser humano nos rios (Foto: R. Resende/Unsplash)
Impacto do ser humano nos rios (Foto: R. Resende/Unsplash)

Os rios e ribeiros de todo o mundo estão a ser severamente afetados pela ação humana, revela um estudo publicado na revista científica Global Change Biology, que contou com a participação da Universidade de Coimbra.

Esta foi a primeira vez que foram avaliados, à escala global e com base em evidências científicas, os efeitos de diferentes impactos provocados pela intervenção humana em várias funções dos rios e ribeiros, nomeadamente a capacidade de autodepuração, decomposição de matéria vegetal ou produção de organismos aquáticos.

O estudo conclui que a maioria dos impactos de origem humana avaliados “tiveram efeitos negativos no funcionamento dos rios e ribeiros, como a redução na sua capacidade de autodepuração (na sua capacidade de consumir nutrientes), cadeias alimentares simplificadas e menos produtivas”, salientou Verónica Ferreira, do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), citada pela Lusa.

Integrada no grupo de dez cientistas que realizaram o estudo levado a cabo pelo departamento de Ecologia Fluvial do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha, a investigadora portuguesa alertou para o facto da redução da capacidade de autodepuração ser especialmente preocupante, “uma vez que elevadas concentrações de nutrientes na água são habitualmente responsáveis por ‘blooms’ (florescimentos) nocivos de algas”.

Outro alerta lançado por Verónica Ferreira prende-se com o facto de a “biomonitorização das linhas de água estar centrada na avaliação de aspetos relacionados com a biodiversidade” e não considerar o impacto que a ação humana tem no próprio funcionamento de rios e ribeiros. “É necessário incorporar a avaliação de funções ecossistémicas nos programas de biomonitorização para termos uma avaliação integrada da condição ecológica do ecossistema”, defendeu a investigadora da FCTUC.

No estudo agora publicado, foram consideradas áreas entre o paralelo 35 (35º de latitude acima da linha do Equador) – inclui países como a Argélia, o Japão, ou os estados americanos do Texas e da Califórnia – e o paralelo 53 – que atravessa territórios como a Irlanda, a Bielorrússia ou o estado americano do Alasca.

Entre as várias conclusões a que os cientistas chegaram, foi classificada como “surpreendente” a eficiência com que os ribeiros retêm nitratos – “quase cinco vezes menor para ribeiros que drenam bacias agrícolas, do que para ribeiros em bacias com baixa atividade agrícola”.

O trabalho desenvolvido pela equipa de dez cientistas estabeleceu também uma análise comparativa dos fatores que têm o maior impacto em todas as funções ecológicas, tendo estes concluído que “as águas residuais ocupam o primeiro lugar e são seguidas pela agricultura e urbanização, indicando que são áreas onde se deve tomar medidas urgentes”.

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