Sustentabilidade

Pulmão da Terra em perigo: Amazónia com maior abate de árvores em 15 anos

Organização não-governamental Imazon apurou que entre 2021 e 2022 a floresta amazónica brasileira perdeu 10.781 km2 de área
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Desflorestação na Amazónia (Foto: Andre Penner/ AP)
Desflorestação na Amazónia (Foto: Andre Penner/ AP)

Apenas no período de um ano, o abate de árvores e mato na floresta amazónica no Brasil fez com que esta perdesse 10.781 quilómetros quadrados de área, a maior extensão dos últimos 15 anos. A conclusão é do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (Imazon), instituição brasileira que tem por missão promover a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazónia.

O apuramento da área desflorestada compreende o período de agosto a julho do ano seguinte – o chamado “calendário do desmatamento”. Através dos dados do seu Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), a organização não-governamental apurou que entre 2021 e 2022 a desflorestação foi 3% superior à registada no período imediatamente anterior, ou seja, entre agosto de 2020 e julho de 2021.

Em nota de imprensa a Imazon destaca que área de floresta perdida equivale a sete vezes a cidade de São Paulo e que, pelo segundo período consecutivo, a desflorestação passou a barreira dos 10 mil quilómetros quadrados. Nos dois últimos calendários o total de área perdida foi de 21.257 quilómetros quadrados.

Floresta amazónica (Foto: Rodrigo Abd/ AP)

A organização sediada em Belém, capital do estado do Pará, salienta ainda que os dados apurados para o período 2021/22 comprovam que esta foi a quarta vez seguida em que a devastação atingiu o maior patamar desde 2008, ano em que iniciou a monitorização através do SAD.

Os números partilhados pela Imazon ganham outra dimensão, ainda mais negativa, se analisado apenas o ano de 2022. Entre janeiro e julho, a área de floresta perdida na Amazónia foi 7% superior face a igual período de 2021, passando de 6109 para 6528 quilómetros quadrados.

Para melhor se visualizar ao que esta área corresponde, a ONGA utiliza novamente uma cidade brasileira para estabelecer a comparação: só este ano a Amazónia já perdeu uma área de floresta equivalente a cinco vezes a cidade do Rio de Janeiro. Trata-se da maior desflorestação para o período dos últimos 15 anos, frisa.

É na região conhecida como Amacro, onde se concentram 32 municípios na divisão entre os estados Amazonas, Acre e Rondônia, que, segundo a Imazon, ocorreu a maior desflorestação dos últimos 12 meses – 36%. A principal causa, avança a organização brasileira, deve-se ao processo de expansão do agronegócio, responsável pelo derrube de quase 4000 quilómetros quadrados de floresta entre agosto de 2021 e julho de 2022.

Em jeito de alerta, a Imazon salienta que o aumento da desflorestação ameaça diretamente a vida dos povos e comunidades tradicionais e a manutenção da biodiversidade na Amazónia, além de contribuir para a maior emissão de carbono num período de crise climática.

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