Sustentabilidade

Estudo adverte que novas minas na Amazónia implicam elevada desflorestação

Investigação demonstra que políticas de incentivo à mineração colocariam em risco a maior floresta tropical do mundo
Desflorestação na Amazónia (Foto: A. Penner/AP)
Desflorestação na Amazónia (Foto: A. Penner/AP)

O aumento da exploração mineira na Amazónia iria certamente conduzir ao aceleramento da sua desflorestação. Esta é a conclusão de um estudo que se segue ao apelo do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para sejam criadas novas minas em áreas protegidas daquela floresta tropical.

O chefe de estado brasileiro advoga que a legalização da mineração informal iria ajudar a tirar algumas regiões da pobreza, enquanto os defensores da legalização argumentam que a indústria seria mais regulamentada e assim contribuiria para conservar a cobertura da floresta tropical.

Estas não são, no entanto, opiniões partilhadas pelos autores do estudo publicado no jornal Nature Sustainability que advertem para o facto de a legalização da exploração mineira em terras indígenas e outras áreas protegidas levar a milhares de quilómetros quadrados de desflorestação.

Mineração (Foto: D. Vanyi/ Unsplash)

A investigação traça o cenário do que poderia acontecer se dez áreas nos estados do Amapá e do Pará fossem abertas à mineração, entre as quais a Reserva Nacional de Cobre e Associados, dois territórios indígenas e várias reservas naturais.

Se por um lado seriam obtidos 242 depósitos adicionais de ouro, cobre e outros minerais, por outro iriam desaparecer mais de sete mil quilómetros quadrados de floresta tropical – qualquer coisa como “um Algarve e meio” – no decorrer dos próximos 30 anos.

O estudo liderado pela engenheira ambiental Juliana Siqueira-Gay, salienta que as minas em si não são o problema, já que seriam responsáveis por uma pequena percentagem da desflorestação.

Amazónia (Foto: L. Correa/AP)

Os principais ataques à floresta amazónica situada em território brasileiro viriam da construção de novas estradas para chegar até essas minas. Um problema agravado por permitirem um acesso mais fácil às zonas relativamente intocadas da floresta, por parte de madeireiros ilegais e garimpeiros.

Os autores do estudo sublinham que é frequente as novas zonas de mineração se encontrarem em algumas das áreas com maior biodiversidade do planeta. Por esse motivo, recomendam, só devem ser criadas se existirem planos para evitar a consequente destruição da floresta.

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