Sustentabilidade

A maior albufeira da Europa está a dar água às agriculturas do Alentejo

Passados 20 anos, o Alqueva tornou-se a garantia de retorno para quem vê nas terras do Alentejo o meio de subsistência
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Alqueva
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Faz este ano 20 anos que as comportas do Alqueva, contruído no rio Guadiana, se fecharam para que a albufeira começasse a encher. Hoje, o Alqueva é, de acordo com a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), a maior reserva estratégia de água da Europa.

Com capacidade para 4150 milhões de metros cúbicos de água, o empreendimento do Alqueva permite a produção de energia, o abastecimento público de água e, claro, regar uma área de 130 mil hectares, algo que foi uma salvação para os agricultores do Alentejo.

Barragem do Alqueva (Associated Press/Armando Franca)

Em um testemunho dado à Lusa, Miguel Gomes, agricultor que detém uma empresa com os irmãos e que cultiva três parcelas de olivais, em Beja e Serpa, frisa que sem o Alqueva não haveria como regar as plantações, já que não têm “nem furos, nem charcas”.

A água do Alqueva, que garante que as condições possam ser mantidas mesmo em alturas de seca, permitiu também aos irmãos aumentar o negócio, investindo em novas parcelas para plantação de olival, uma cultura identificada pelo agricultor como certa.

A barragem do Alqueva mudou a vida a vários agricultores do Alentejo porque tornou-se uma garantia de produtividade para quem tem culturas na zona.

No passado, tínhamos sempre a insegurança [sobre] se chove, não chove, temos água, não temos água, e, hoje em dia, a certeza da água abre-nos a porta a podermos fazer investimento quase com a certeza de que iremos ter o retorno”, refere, à Lusa, António Vieira Lima que tem plantação de milho no concelho de Cuba.

A construção do Alqueva, para além de dar segurança quanto às garantias de produção, permitiu que os agricultores fizessem escolhas diferentes face ao que iriam plantar. António, por exemplo, apenas começou a produzir milho em 2008, uma cultura que lhe dá um rendimento superior. Em 2009 apostou na plantação de vinhas.

De acordo com o agricultor, os investimentos que tem conseguido fazer só são possíveis dada a segurança de retorno que o acesso à agua do Alqueva lhe dá.

A água é um custo, mas a falta dela é um custo maior”, refere.

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