Sustentabilidade

Larvas para o jantar? Flyfeed acredita que insetos são a proteína do futuro

Insetos são baratos e são boa fonte de nutrientes. A AWAY falou com o responsável da empresa e explica tudo
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Não é uma ideia de agora. Há vários anos que se acredita que os insetos podem ser uma boa fonte de proteína e ajudar de base para dietas mais ricas em nutrientes e mais baratas. Agora, há uma empresa da Estónia que quer desenvolver uma quinta para criar insetos para consumo humano.

Se estás a torcer o nariz, não julgamos. Para nós, este conceito de comer insetos é, no mínimo, um pouco estranho. Mas, para a FlyFeed, poderá ser a solução para acabar com a fome no mundo e proporcionar uma alternativa nutritiva a um terço do preço de um frango.

Larvas para jantar - AWAY
Larvas para jantar? (foto: Dieter Nagl/GettyImages)

“Chocou-me saber que 3 mil milhões de pessoas no mundo sofrem de fome e má nutrição”, começa por explicar Arseniy Olkhovskiy, o CEO e fundador da FlyFeed, à AWAY. “Acredito que isto são grandes limitadores do desenvolvimento humano e que podem ser ultrapassados com o esforço correto. A missão central da FlyFeed é produção proteína animal, o componente mais caro da dieta humana, a um preço universalmente suportável.”

Na quinta, que ficará no Vietnam, serão criadas moscas soldado negro, uma das poucas espécies usadas a nível mundial para produção alimentar que tem a vantagem de não transmitir doenças. A FlyFeed irá usar o inseto na fase de larva, já que é a altura em que é mais rico em proteína.

“A carne da mosca soldado negro tem uma excelente composição de aminoácidos, e os seus benefícios (…) já foram provados por várias experiências. Além disso, ensaios mostram que o sabor de produtos alimentares à base deste inseto não é inferior ao de um bife de galinha ou de um hambúrguer de vaca”, explica o CEO.

Mas há outra questão que torna esta espécie tão interessante para ser criada: estas moscas alimentam-se de restos de comida, permitindo assim aproveitar aquilo que iria acabar a apodrecer em lixeiras.

CEO da FlyFeed - AWAY
Arseniy Olkhovskiy, o CEO e fundador da FlyFeed

Na quinta da FlyFeed, além da utilização de moscas para alimentos ricos em proteína, vão ser aproveitados os óleos dos insetos para poderem ser usados na indústria cosmética e farmacêutica. Os subprodutos da quinta vão permitir produzir fertilizantes.

Estarão as pessoas preparadas para comer insetos?

O consumo de insetos não é uma novidade especialmente em alguns países da Ásia e de África, dois continentes muito populosos. Ainda assim, insetos são algo novo para a dieta ocidental.

Inquéritos mostram que a população está pronta a consumir insetos se a comida vier num formato a que as pessoas estejam habituadas”, refere Arseniy Olkhovskiy, explicando que não vê riscos nesta aposta.

Mosca soldado negro - AWAY
Mosca soldado negro (Foto: J. Tiono/Unsplash)

“Chips de insetos já estão à venda na Europa o que ajuda a construir a cultura alimentar. Depois de se experimentar produtos como estes, os medos tendem a desaparecer”, conclui, salientando que é também essencial que cientistas, ambientalistas, empresas e políticos alertem para os benefícios de uma alimentação à base de insetos.

A FlyFeed acredita que, em dez anos, a proteína de mosca soldado negro vai estar presente em vários alimentos em diversos mercados.

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