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Cidade de Amesterdão já conta com sistema de monitorização de multidões

A capital dos Países Baixos, Amesterdão, desenvolveu a sua própria tecnologia de monitorização de multidões para compreender a atividade económica e remodelar o turismo
Amsterdão, Países Baixos
Amsterdão, Países Baixos
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O período de pandemia serviu para alavancar a necessidade de monitorização de multidões, por questões relacionadas essencialmente com a segurança, mas também para compreender um pouco melhor a atividade económica e remodelar o turismo. No entanto, uma vez que no mercado não existia nenhuma solução que respondesse a estas necessidades, a cidade acabou mesmo por criar a sua própria solução.

"Amesterdão é uma cidade com bastantes pessoas e muitos turistas, o que pode levar a algumas situações menos agradáveis e até inseguras", refere Boen Groothoff, gestor de projeto de mobilidade inteligente do Gabinete de Tecnologia de Amesterdão.

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Entre os principais riscos apontados estão as situações que incluem violência, ferimentos ou mesmo as quedas nos canais da cidade.

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Canais em Amsterdão, Países Baixos

O sistema criado foi batizado com o nome “Public Eye” e foi desenvolvido em parceria com a Life Electronic e com a Tapp, uma empresa com serviços relacionados com o desenvolvimento de cidades inteligentes. Utiliza as camaras da cidade já existentes e um algoritmo de inteligência artificial, que consegue prever a dimensão, a densidade e a velocidade das multidões num espaço público.

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Com estas informações é possível verificar a quantidade de pessoas num determinado local e criar medidas que possam contrariar essa tendência, através de vias com apenas um sentido, por exemplo, ou outras estratégias a longo prazo já com estes dados em mente. A informação colhida pelo sistema permite ainda a gestão dos sistemas de semáforos da cidade, com o objetivo de evitar congestionamentos ou ajudar as pessoas a planear uma deslocação da melhor forma, usando uma página de internet ou uma aplicação no telefone.

Zona central de Amsterdão, Países Baixos

O Public Eye começou por ser utilizado ainda no período de pandemia com o objetivo de medir o distanciamento social entre as pessoas e como os ginásios estavam fechados, a conhecida área de exercício ao ar livre do Marineterrein foi um dos pontos onde começou a ser medida a quantidade de utilizadores. Se as pessoas estivessem muito próximas uma das outras, acendiam automaticamente umas tiras de LED em azul e se houvesse demasiadas pessoas nesta área, as cores dos LED passavam para vermelho.

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Claro que a adoção de um sistema deste género terá sempre diversas questões relacionas com a privacidade e vigilância e acabou mesmo por despertar debates sobre ética e utilização de tecnologias de recolha de dados em espaços públicos. Seja como for, e também de acordo com Boen Groothoff, “a fiscalização não é o objetivo”.

Atualmente, já existem algumas preocupações com o tema, à medida que o sistema vai ficando cada vez mais preciso e entidades como a ACLU (American Civil Liberties Union), por exemplo, diz mesmo que “a tecnologia de análise de imagens pode transformar as câmaras em guardas robot, que observam as pessoas ativa e constantemente”. Groothoff responde ao afirmar que “não queremos que as pessoas comecem a receber multas ou notificações, queremos evitar isso, assegurando apenas, em primeiro lugar, que determinadas áreas não fiquem demasiado lotadas, mas também que todos possam tomar decisões com uma maior dose de informação”.

(Fotos: Red Morley Hewitt, Ethan Hu, Oleksandr Zhabin / Unsplash)

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