A Proteção Civil está a alertar para a importância de os portugueses estarem preparados para enfrentar um sismo. O aviso surge numa altura em que se aproxima mais uma edição do exercício nacional «A Terra Treme», que desafia a população a aprender três gestos simples que podem fazer a diferença: baixar, proteger e aguardar.
Em declarações à agência Lusa, Carlos Mendes, diretor nacional de prevenção e gestão de riscos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), lembrou que Portugal se encontra numa zona de particular vulnerabilidade sísmica e que não existe forma de prever o dia ou a hora em que poderá ocorrer um terramoto.
«Os sismos não têm hora marcada. Podem acontecer a qualquer momento», alertou o responsável, sublinhando que a preparação é essencial não só durante o abalo, mas também nos minutos e nas horas seguintes.
Portugal está numa zona de risco: há regiões mais vulneráveis
A Área Metropolitana de Lisboa, o Vale do Tejo, o Alentejo e o Algarve são algumas das regiões que merecem especial atenção. Segundo Carlos Mendes, são zonas onde os grandes sismos históricos provocaram consequências particularmente graves.
Ainda assim, o responsável deixa um aviso importante: um sismo de grande dimensão poderá ter efeitos em todo o território continental, mesmo que algumas regiões estejam mais expostas.
A própria ANEPC recorda que Portugal Continental apresenta um risco sísmico significativo, sobretudo devido à localização geográfica e à concentração de população e de atividade económica no litoral. Entre os acontecimentos históricos mais marcantes está o terramoto de 1 de novembro de 1755, que devastou Lisboa e outras zonas do país e foi acompanhado por um tsunami.
Mais recentemente, o sismo de 23 de abril de 1909, com epicentro na região de Benavente, provocou também danos importantes no Vale do Tejo.
É possível prever quando vai acontecer um sismo?
A resposta da ciência é clara: não. Apesar dos avanços na monitorização e no estudo da atividade sísmica, ainda não existe capacidade para determinar com certeza quando, onde e com que magnitude ocorrerá um sismo.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) explica que a previsão sísmica a curto prazo — horas ou dias — ainda não foi descoberta. Por isso, não é possível antecipar uma data para um eventual terramoto nem emitir uma previsão segura desse tipo.
É precisamente por essa razão que a Proteção Civil insiste na prevenção. Não se trata de viver com medo ou de esperar que aconteça uma catástrofe, mas de saber como reagir caso a terra comece a tremer.
«A Terra Treme» realiza-se a 5 de novembro: há três gestos que deve conhecer
É já na quinta-feira, 5 de novembro, às 11h05, que se realiza a 14.ª edição do exercício nacional «A Terra Treme», promovido pela ANEPC.
A iniciativa tem a duração de apenas um minuto e convida qualquer pessoa a praticar três gestos de autoproteção: BAIXAR, PROTEGER e AGUARDAR.
Mas o que significa cada um?
Baixar: baixe-se sobre os joelhos para evitar perder o equilíbrio durante o abalo.
Proteger: proteja a cabeça e o pescoço com os braços e as mãos. Se possível, abrigue-se debaixo de uma mesa resistente e segure-se.
Aguardar: mantenha-se nessa posição até a terra parar de tremer. Evite deslocar-se enquanto o sismo estiver a decorrer.
O exercício pode ser realizado em casa, na escola, no local de trabalho ou noutro espaço onde se encontre. Não é necessário estar integrado numa instituição para participar.
O objetivo é simples: praticar estes movimentos para que, numa situação real, a reação seja mais rápida e instintiva.
O que deve fazer se estiver dentro de casa durante um sismo?
Saber como reagir dentro de um edifício pode ser determinante. A recomendação é procurar proteção e afastar-se de elementos que possam cair ou partir.
Se estiver em casa ou noutro edifício:
Abrigue-se, se possível, debaixo de uma mesa resistente.
Proteja a cabeça e o pescoço.
Afaste-se de janelas, espelhos, candeeiros e móveis que possam tombar.
Não tente sair a correr durante o abalo.
Não utilize os elevadores.
Se estiver num andar superior, não se precipite para as escadas.
Se estiver na rua, procure com calma um espaço aberto, afastado de edifícios, muros, postes de eletricidade, varandas e outros elementos que possam cair.
Se estiver a conduzir, pare a viatura num local seguro, longe de edifícios, muros e cabos elétricos, e permaneça no interior até o sismo terminar.
E depois do sismo? Os cuidados não acabam quando a terra deixa de tremer
A preparação não deve limitar-se ao momento do abalo. A Proteção Civil lembra que podem ocorrer réplicas e que os danos em edifícios, estradas, redes de abastecimento e serviços podem dificultar a resposta à emergência.
Depois de um sismo, deve manter a calma, estar atento às indicações das autoridades e evitar entrar em edifícios que possam estar danificados.
Se for seguro fazê-lo, desligue a água, o gás e a eletricidade caso existam danos ou suspeitas de fugas. Não acenda fósforos nem isqueiros e evite utilizar elevadores. Também é importante não ocupar as ruas sem necessidade, para facilitar a circulação dos meios de socorro.
O telefone deve ser utilizado apenas em situações de necessidade, para não sobrecarregar as redes de comunicação.
Tem um kit de emergência em casa? Eis o que não deve faltar
Um dos conselhos da ANEPC passa por preparar antecipadamente um pequeno kit de emergência, que deve estar guardado num local acessível e conhecido por todos os elementos da família.
Entre os artigos recomendados estão:
Água e alimentos não perecíveis para dois ou três dias;
Lanterna e rádio portátil;
Estojo de primeiros socorros;
Medicação habitual;
Cópias de documentos importantes;
Lista de contactos de familiares e serviços de emergência;
Dinheiro em numerário;
Apito e máscara antipoeira;
Carregador de telemóvel e bateria externa;
Produtos de higiene pessoal e uma muda de roupa.
Se tiver animais de estimação, não se esqueça de incluir também água e comida para eles.
A Proteção Civil recomenda ainda que as famílias combinem antecipadamente um ponto de encontro, identifiquem os locais mais seguros da habitação e fixem às paredes estantes, armários e outros objetos pesados que possam tombar.
«A preparação é a palavra-chave»
Questionado sobre se Portugal está preparado para enfrentar um sismo de grande dimensão, Carlos Mendes reconheceu que nenhum país está totalmente preparado para um acontecimento desta natureza.
Apesar de a regulamentação sísmica mais recente contribuir para uma maior resistência das construções, existem edifícios anteriores a essas normas. Além disso, mesmo quando a estrutura de um imóvel resiste, o conteúdo das habitações, os acessos e as redes de serviços podem sofrer danos.
Um terramoto de grande dimensão poderá, por isso, afetar o quotidiano de milhares de pessoas, desde os transportes e abastecimento até aos serviços digitais.
O exercício «A Terra Treme» pretende precisamente reforçar a consciência coletiva sobre este risco e incentivar cada cidadão a saber como agir. Como recordou o responsável da Proteção Civil, a preparação não se constrói de um dia para o outro.
Não é possível saber quando será o próximo grande sismo. Mas há algo que cada pessoa pode fazer desde já: conhecer os riscos, preparar a casa e a família e aprender os três gestos que podem ajudar a proteger vidas.