Cidades

O futuro já não são as cidades inteligentes, mas sim as cidades resilientes

Por todo o mundo, são cada vez mais as cidades que contratam Diretores de Resiliência que trabalham para garantir um futuro estável face às mais variadas crises
Roterdão, Holanda
Roterdão, Holanda
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2020 foi um ano que ficou para a história. Não só por causa da COVID-19, mas também por todos os movimentos e crises pelos quais o mundo passou, como o Black Lives Matter que começou nos Estados Unidos, mas acabou por abalar o mundo inteiro, ou as consequências do aquecimento global que se sentiram um pouco por todo o lado, não esquecendo a crise económica provocada pela pandemia.

Todos estes momentos fraturantes permitiram mostrar aos decisores locais e mundias a importância de se ter cidades preparadas para ultrapassar qualquer momento de crise. Ou seja, a importância de se ter cidades resilientes.

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O conceito de cidades resilientes não é de agora. Em 2013, a Fundação Rockefeller disponibilizou financiamento para a criação da 100 Resilient Cities, uma organização sem fins lucrativos dedicada a ajudar as cidades à volta do mundo a tornarem-se mais resilientes e a enfrentarem os desafios do novo século. Mais tarde, a 100 Resilient Cities transformou-se na Resilient Cities Network.

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Foi graças à 100 Resilient Cities que surgiram os Chief Resilient Officers ou Diretores de Resiliência (CRO) que têm o papel de comunicar e colaborar com os vários departamentos das cidades de forma a construir uma estratégia que ajude as cidades a enfrentar os mais diversos desafios, quer sejam económicos, sociais ou ambientais.

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Roterdão, Holanda

De acordo com a Resilient Cities Network, a COVID-19 fez com que cidades que já tivessem CRO lhes dessem maiores fundos, mais colaboradores e maior proximidade com os presidentes das câmaras. Muitas das cidades que não tinham CRO, começaram a ponderar criar o cargo.

Pelo mundo, há já várias cidades com um Diretor de Resiliência, o que tem permitido estratégias eficazes para se ultrapassar as mais diversas crises.

Roterdão, Holanda

Roterdão, na Holanda, é considerada uma das cidades mais desenvolvidas no que diz respeito à resiliência. Criou o cargo de CRO em 2014 como parte do plano de adaptação climática de 2008. Em 2016, já era apresentado o primeiro documento com a estratégia de resiliência e o trabalho não parou desde então.

Agora, que o mundo inteiro lida com as mazelas que a pandemia criou a nível local, Roterdão anunciou o projeto das sete cidades que tem como objetivo dar um impulso na economia e na qualidade de vida. Também se está a desenvolver uma ferramenta de filtragem, que vai permitir à população ajudar a definir quais devem ser as ações e ideias prioritárias dentro de Roterdão.

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Edimburgo, Escócia

Com o objetivo de tornar o conceito de resiliência parte do dia a dia dos municípios, criaram o Scan de Resiliência que dá uma lista que ajuda as pessoas a considerar possíveis problemas que possam surgir e afetar novos projetos que estão a ser desenvolvidos. Desta forma, têm-se em consideração a resiliência desde o início.

Outras cidades que parecem estar a desenvolver estratégias interessantes de resiliência são Nova Orleãs e Orlando, nos Estados Unidos e Edimburgo, na Escócia que desenvolveu uma estratégia digital para ajudar a eliminar a pobreza até 2030.

Lisboa, em Portugal, é uma das cidades que fazem parte do Resilient Cities Network e, segundo o site da organização, apesar de ainda não ter um CRO, tem trabalhado para criar estratégias e infraestruturas para enfrentar desafios do futuro.

Lisboa

Outro cargo que também parece estar a ganhar destaque um pouco por todo o mundo é o de Diretor de Inovação ou Informação. Esta pessoa deve estar focada em criar iniciativas digitais que facilitem a tomada de decisões e, tal como o CRO, deve trabalhar com todos os departamentos.

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O futuro das cidades está cada vez mais dependente de estratégias digitais e de resiliência. Estas são essenciais para garantir o máximo de estabilidade face a problemas sociais, económicos e ambientais que possam surgir sem aviso prévio, como aconteceu com a pandemia, em 2020.

(Fotos: Andre Lergier, David Salamnca, Dimitry Anikin, Jurriaan, Stephan/Unsplash)

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