Opinião
André Mendes
Concebido logo após o 25 de abril de 1974 e nascido em Lisboa, refugiou-se na Ajuda para passar o seu primeiro quarto de século. Quando a família cresceu, mudou para a outra margem do Tejo e foi viver para perto da praia e para longe do trânsito. Já teve dois filhos, plantou uma árvore e escreveu milhões de carateres desde que entrou no mundo do jornalismo automóvel há mais de 20 anos, porque conduzir é uma das suas maiores paixões.

Porque, por vezes, é mesmo a paixão que desperta o prazer de conduzir

As minhas experiências ao volante começaram muito cedo. Muito antes de sequer ter permissão legal para o fazer
Criança com pai no carro (imagem ilustrativa)
Criança com pai no carro (imagem ilustrativa)

Ainda me recordo de quando tentei conduzir um carro pela primeira vez. Lembro-me que ainda era muito pequeno e não conseguia chegar aos pedais com grande facilidade. Mas um dia, numa casa de férias que os meus avós tinham mais para o interior, daquelas onde os carros ficavam abertos com a chave na ignição e sem que fosse sequer obrigatório pensar nisso, o meu pai deixou-me a brincar dentro do carro, mexendo no volante e no comando da caixa de velocidades, fazendo de conta que estava a conduzir.

Naquela altura, já devia ter passado horas a olhar para o meu pai enquanto ele conduzia, tentando perceber os movimentos que ele fazia com os pés e com as mãos, para descobrir como era essa coisa da condução. No meio do entusiasmo do momento rodei a chave e assustei-me com o solavanco do carro. Não percebi muito bem o que tinha acontecido, mas como aquilo me fez andar uns centímetros, tentei novamente. O mesmo solavanco. Com a memória a processar os movimentos que o meu pai fazia, lá olhei para o comando da caixa e tentei outra posição. Mas não voltei a rodar a chave com receio de poder estar a estragar alguma coisa.

Depois de tantas mexidas, a grande diferença é que o carro agora andava ligeiramente quando descia o travão de mão. Tão ligeiramente quanto a inclinação do terreno que era mínima. E assim, concentrei-me no que estava a fazer e continuei. Desci a alavanca do travão de mão e fui a “conduzir” até o sítio onde o meu pai estava. Assim que apareci, lembro-me que a expressão assustada do meu pai não me deu grande vontade de continuar, ainda que ele tivesse passado rapidamente para o riso. Mas eu estava desejoso de repetir a experiência.

Que momento incrível, controlar a máquina, fazê-la deslocar-se uns metros de um ponto para o outro, com algumas manobras pelo caminho. E ainda sem sequer imaginar que esta Opel 1204 S Caravan viria a ser o meu primeiro carro, algo que vou deixar para outro dia.

Foi este o momento autodidata de tentativa e erro que despertou a minha paixão pela condução e foi aqui que começou a contagem até ao dia em que faria 18 anos de idade. Na altura, apenas neste momento se podia iniciar o processo de aprendizagem, ainda que fosse apenas com as aulas de código. Lembro-me de subir a Rua das Pretas a pé, feliz por me ir finalmente inscrever. Completei as aulas de código aos sábados de manhã e passei no exame à primeira, ainda que tivesse sido uma das últimas pessoas da sala a ser chamada.

As aulas de condução começaram logo de seguida, num Opel Corsa B de três volumes e duas portas com diversas centenas de milhares de quilómetros. Era o carro das “primeiras aulas”, que tinha um instrutor próprio. Ao terminar a aula, conheci aquele que viria a ser o meu instrutor a partir desse momento que, depois de uma conversa com o instrutor das primeiras aulas, acabou por enviar logo o pedido para o meu exame de condução.

As restantes aulas também foram ao volante de um Opel Corsa B, ainda que um pouco mais novo. O suficiente para que passadas duas ou três aulas, a zona final da segunda circular tivesse sido feita perto dos 130 km/h, sem que fosse sequer eu a pisar no pedal do acelerador. Foi incrível. Também passei no exame de condução à primeira e nunca perdi o gosto por conduzir. Já aperfeiçoei a técnica através da presença de uns três ou quatro cursos de condução mais desportiva e ainda tenho muito para aprender. Cada vez mais. Entretanto, houve uma outra experiência que chegou mais tarde e que envolve apenas duas rodas. Mas essa, conto em uma próxima crónica.

Concebido logo após o 25 de abril de 1974 e nascido em Lisboa, refugiou-se na Ajuda para passar o seu primeiro quarto de século. Quando a família cresceu, mudou para a outra margem do Tejo e foi viver para perto da praia e para longe do trânsito. Já teve dois filhos, plantou uma árvore e escreveu milhões de carateres desde que entrou no mundo do jornalismo automóvel há mais de 20 anos, porque conduzir é uma das suas maiores paixões.

 

 André Mendes, escreve esta crónica a convite da AWAY Magazine.

 

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