Opinião

A paixão pelas duas rodas chegou muito tarde, mas em grande força

O mundo das motas sempre foi algo que tive receio de experimentar, mas agora é raro o dia em que não penso nisso
Harley Davidson Fat Boy
Harley Davidson Fat Boy
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Se pensar neste assunto de uma forma mais séria, sou obrigado a admitir que o mundo das motas nunca me cativou tanto como o dos automóveis. Desde pequeno que a minha grande paixão foi ter carta de carro e conduzir, pelo que as duas rodas sempre foram relegadas para segundo plano. Tirando as da bicicleta, que essas também sempre estiveram presentes.

O mundo das motas era apenas algo que servia como tema de conversa nas noites de saídas com os amigos, pois sempre admirei a sua estética, a história de alguns modelos e os avanços tecnológicos que iam surgindo no mercado. Ainda me recordo de quando a Honda NR 750 foi apresentada ao público, com os seus pistões ovais e o preço absurdo e o estilo da Harley Davidson Fat Boy usada pelo T-800 em Terminator 2.

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Apesar disto, no meio das mesmas conversas de café, tudo passava muito rapidamente para as velocidades de três algarismos em que o primeiro não era um 1 (nem um 2), as idas ao Algarve em pouco mais de uma hora, sendo que na altura a autoestrada acabava em Grândola, e diversas outras coisas que acabavam por me assustar em vez de me cativar. E no que diz respeito a arriscar a vida, o carro sempre me pareceu mais seguro, mais confortável, com música e protegido das intempéries.

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Diversos anos mais tarde e com o dígito das dezenas na idade a passar para o quatro, no entanto, dei por mim a estar cada vez mais tempo parado numa fila de trânsito, a admirar as diversas motas que iam passando por mim e a pensar que poderia chegar muito mais cedo a casa. O lado prático de um veículo de duas rodas começou a vir ao de cima e a curiosidade por este mundo voltou a ganhar um pouco mais de interesse.

Pensando agora com um pouco mais de maturidade (pouca, mas alguma), se calhar, o mundo das motas pode mesmo ser bem mais cativante do que aquilo que eu aprendi a conhecer. E à medida que o interesse ia crescendo, a quantidade de coisas que ia descobrindo estava a puxar-me cada vez mais em vez de me afastar como acontecia nas tais conversas de café com amigos.

Um dia, ao entrar na redação, um dos meus colegas da altura diz-me: “Está decidido, vou tirar a carta de mota! Queres vir?”. Fiquei a pensar uns minutos, mas respondi que sim e lá nos fomos inscrever. As aulas de código foram simples, uma vez que já tinha carta de carro e a possibilidade de poder conduzir alguns modelos por esse mesmo motivo, até fez com que um teste a uma Honda PCX tivesse como destino a escola de condução. Estava rendido. O mundo das duas rodas, afinal, era mesmo fascinante.

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Ainda em aulas, a primeira experiência com um modelo de cilindrada maior foi apaixonante e só queria conduzir cada vez mais. De tal forma que, depois da carta tirada, no dia em que completei 40 anos de idade, entrei na garagem de casa com a minha Honda NC 750X, a minha primeira mota. Por diversas circunstâncias de trajeto de vida, infelizmente, já não a tenho. Mas não há um único dia que não me lembre dela e nas (poucas, muito poucas) experiências que ela teve tempo para me oferecer. Voltar a ter uma mota continua a ser um dos meus sonhos. É uma paixão que veio tarde, mas que veio para ficar.

 

Concebido logo após o 25 de abril de 1974 e nascido em Lisboa, refugiou-se na Ajuda para passar o seu primeiro quarto de século. Quando a família cresceu, mudou para a outra margem do Tejo e foi viver para perto da praia e para longe do trânsito. Já teve dois filhos, plantou uma árvore e escreveu milhões de carateres desde que entrou no mundo do jornalismo automóvel há mais de 20 anos, porque conduzir é uma das suas maiores paixões.

 

 André Mendes, escreve esta crónica a convite da AWAY Magazine.

 

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