Opinião

Smartphones com Rodas

O que hoje se debate em torno do automóvel do futuro é mais do que o veículo em si, muito mais do que essa peça de design e que nos ajuda a deslocar no espaço físico.
Smartphone sobre rodas (foto: Flicker)
Smartphone sobre rodas (foto: Flicker)
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Para os mais envolvidos na indústria, o que se segue não tem nada de novo. Para muitos de nós que ainda olham o objeto como o conjunto de motor+carroçaria+rodas é afinal um mundo novo que se avizinha. E não está assim tão distante.

Se até aqui os fabricantes auto se focavam na venda de veículos e na sua manutenção nas oficinas da marca, prepare-se para viajar no tempo e perceber que o futuro nos reserva uma realidade bem distinta.

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Claro que a Tesla é o exemplo de que todos se lembram quando se fala do carro do futuro. Porque é elétrico. Nada mais aborrecido... Pobre Elon Musk, criador da marca, de cada vez que lhe falarem na Tesla apenas por esse motivo. Mas porque está afinal a valorização bolsista da Tesla de tal forma elevada? Resposta: pela visão e pela sua concretização. Mas já não está sozinha.

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O veículo era o propósito.

  • Primeiro para movimentação.
  • Depois pelo estatuto.
  • Enfim a performance.
  • Depois a economia.

E hoje o ecossistema todo está em ebulição.

Se os carros de amanhã nos levam ao trabalho, a casa e ao cinema? Claro que sim. Mas vão também ser uma fonte de rendimento para os seus proprietários. Aquilo que se afigura é um mundo onde os carros, muito graças também ao 5G, poderão finalmente ser conectados à internet e poder ser auto-guiados. Mas mais: em si mesmos serão uma fonte de receitas contínua - quer para fabricantes, quer para proprietários (repare que não ousei dizer condutores).

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Sempre que não utilizar em seu belo proveito o seu automóvel, este poderá ficar disponível numa rede para ser alugado ou servir um qualquer serviço de ride-sharing, gerando uma receita para si. Para o fabricante, para além da venda, será muito mais vantajoso baixar as barreiras à entrada (diga-se preço e só manter os extras físicos, como a cor, pele dos bancos, etc.); o restoserá transformado em extras de software que iremos gerir em virtuosas mensalidades podendo ligar/desligar a nosso bel-prazer, qual mecanismo Netflix aplicado ao automóvel.

Como assim?

Pretende no fim de semana mais performance? Subscreva o plano “plus” por mais 50 euros. Pretende o Pack Entretenimento para ter o Spotify, Youtube Premium, Disney+, Netflix e mais uns quantos? Nada como pagar um pequeno extra. Serviço de mapas ilimitado? Esse vem sem custos. Porquê? Pois porque irá reparar nas sugestões de restaurantes e hotéis – verdadeiros anúncios pagos no mapa que geram receita para o fabricante, o verdadeiro “dono” do ecossistema do carro. E porque não efetuar pagamentos sem sair do carro? Vamos a isso. E quem receberá uma comissão de 0,3% a 1%? Já adivinhou.

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Nada disto é futurista. Ainda que a Tesla possa ser o epíteto do carro do futuro, modelos de mensalidade de serviços como os abordados acima já hoje estão a ser concebidos e prestes a ser lançados pela AUDI e muitas outras marcas. O conceito é simples: o automóvel passará a ser apens um gigantesco smartphone rolante. Apps. Subscrições. Modelos de fidelização. Pagamentos...

A outrora experiência de nos agarrarmos ao volante, prender o cinto e acelerar, dará lugar a uma experiência de lazer mais social e de entretenimento no cockpit. Basta notar nos super-ecrãs que cada vez mais inundam os interiores, como do mais recente Mercedes EQS. Afinal, se no futuro fosse para nos focarmos na estrada e segurar o volante, para que iríamos hoje estar a desenvolver ecrãs táteis gigantes?

Se outrora ouvíamos a frase “gentlemen start your engines”, amanhã iremos certamente repetir “relax, you are about to enter a new dimension”.

Está quase.

Diretor-Geral Media Capital Digital responsável pela definição e gestão estratégica da operação digital para as várias marcas. Docente em várias  Pós-Graduações e Mestrados Executivos na área do digital. Sempre que  pode pratica Trail-Running, Bicicleta ou Caminhada.

 

Ricardo Tomé escreve esta crónica a convite da AWAY Magazine

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