Mobilidade

Seis dias ao volante do elétrico Mazda MX-30

Experiência com família a bordo revelou sensações mistas. Modelo de qualidade e construção sólida tem também alguns handicaps
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Adoro a sensação de experimentar um automóvel pela primeira vez. Especialmente se for novo ou muito recente, claro. Experimentar as novas tecnologias; explorar as texturas dos novos materiais; sentir os cheiros; envolver-me com a mecânica. Tudo isso é empolgante, mais ainda no caso de um elétrico, como o Mazda MX-30 com o qual passei alguns dias.

Às vezes sozinho, às vezes com a família. Durante o período em que o Mazda MX-30 me foi confiado pude explorá-lo de diferentes formas. Mas antes de partilhar todas as sensações sobre este SUV compacto, que é também o primeiro veículo de produção 100% elétrico da Mazda, importa adiantar algumas informações sobre a unidade em questão.

O “meu” MX-30 inclui o nível de equipamento Makoto (o de topo) na versão Urban Expression, mais o pack Premium e a pintura metalizada na nova cor Zircon Sand (um bege natural, como diz a Mazda). Estamos a falar de um automóvel isento de emissões de CO2, cujo preço de venda está nos 42.817€‬, quando a gama se inicia nos 37.317€.

As primeiras impressões, como não podia deixar de ser, dizem respeito à estética exterior. Diria que é daqueles automóveis que primeiro se estranha e depois se entranha. Opinião partilhada por toda a família, aliás. “É esquisito”, diziam-me no início as crianças, que como sabemos, costumam ser muito francas e diretas nas opiniões que transmitem. E eu só posso concordar.

A frente é de um automóvel com carácter e personalidade afirmativa. Adoro o pormenor da posição dos faróis e da grelha, ligeiramente recuados face ao capô. Já a traseira parece-me pertencer a outro carro. Acho-a branda e algo frágil. Mas o que torna este modelo especial é, sem dúvida, a lateral e as portas de abertura oposta, que implicam a ausência de um pilar central.

Ai as portas… Só estas dariam um longo texto, tal é o rol de comentários que suscitaram entre a nossa família. Vou então tentar resumir, dizendo que têm tanto de giras e invulgares como têm de pouco práticas.

Tendo filhos e, por isso, a necessidade de utilizar com frequência a pequena porta traseira, com abertura apenas pelo interior, o proprietário de um Mazda MX-30 não terá a vida facilitada sempre que estacionar ao lado de outro veículo. E estou convencido que essa condicionante pode determinar a decisão de comprar ou não o SUV elétrico japonês.

Pouco espaço para cabeça e pernas nos lugares traseiros à parte, o habitáculo é praticamente irrepreensível. A exceção vai para o facto das duas entradas USB dianteiras estarem escondidas atrás de uma consola central “flutuante”, que obriga a algum contorcionismo sempre que é necessário carregar o telemóvel ou usar o Android Auto – obrigatório com fio.

Os materiais desta versão que conduzi são excecionais, tanto do ponto de vista da qualidade como da estética. Em especial a cortiça usada na consola central e portas e aquela espécie de feltro cinza, cujas fibras são obtidas da reciclagem de garrafas de plástico. O teto e pilares em preto dão aquele toque especial, que parece tornar mais luxuoso qualquer habitáculo, e o sistema de som Bose e o de memorização da posição do banco do condutor são uma delícia.

Lançado pela primeira vez há cerca de dois anos, o MX-30 foi alvo de alguns melhoramentos em 2022. As unidades entregues neste segundo semestre passaram, por exemplo, a suportar carregamento AC trifásico de 11 kW e o carregamento rápido DC é agora mais rápido. De referir que o modelo está equipado com bateria de iões de lítio de 35,5 kWh, anuncia um consumo de 17,9 kWh/ 100 km e uma potência de 107 kW (145 cv).

Pena é que a autonomia se mantenha inalterada nos (anunciados) 200 km, o que me parece francamente curto face às muitas outras opções que vão aparecendo no mercado. O simples facto de ir almoçar com a família àquele restaurante mais distante de casa, quando a bateria do carro não está totalmente carregada, obriga a uma gestão do percurso e consequente preocupação que eu preferia não ter.

Em resumo, diria que é um automóvel sólido, robusto, com qualidade e com a particularidade de ter a potência sempre disponível, como é característica dos elétricos. Um opção interessante, especialmente se não se transportem passageiros atrás com frequência ou não se percorram muitos quilómetros diariamente. Se for este o caso, talvez valha a pena uma reflexão mais aprofundada.

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