Mobilidade

Os preços dos carros podem disparar em breve e não são apenas os novos

Antes da pandemia do COVID-19 alguns mercados já apresentavam sinais de que o volume de vendas automóveis estaria a estagnar ou a decrescer, mas agora vê aí outro problema
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A pandemia do COVID-19 veio trazer vários problemas ao mercado automóvel e as consequências vão ter reflexos para o consumidor. Por um lado, o facto das pessoas ficarem em casa confinadas obrigou a investimentos em novas tecnologias, justamente para utilizar em casa. As pessoas compraram mais computadores, mais impressoras e até mais televisões e telemóveis, porque... estavam em casa.

Com esse crescimento, a procura por semicondutores (chips necessários ao processamento de dados em diversos aparelhos eletrónicos), entraram em forte procura e as fábricas deixaram de conseguir responder.

 

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Mas qual é exatamente o problema? É que estes semicondutores são utilizados desde em um telemóvel até ao mais recente veículo elétrico. E, a juntar à falta de chips, junta-se ainda a escassez de matérias primas e o aumento do custo do transporte em todo o mundo. Ou seja, com isso os construtores viram-se obrigados a reduzir a produção. E o resultado foi imediato: menos veículos disponíveis. 

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Os transportes estão mais caros também o que não ajuda no preço dos carros
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Com o básico da lei da oferta e da procura a mostrar a sua eficiência, os carros acabam por ficar mais caros (ver opinião de Luca di Meo, CEO Stellantis). E isto nota-se também no mercado de usados. Com o cliente sem opções nos novos, a procura por carros usados subiu. Uma vez mais, mais procura, menor oferta, subida de preços.

Mas não é só.

Um outro fator que irá motivar subida de preço tem a ver com os carros elétricos.

As exigências de um carro elétrico em termos de tecnologia são diferentes do que são os carros a combustão. Não se pode dizer que são mais, são apenas diferentes. E já se sabe: nova tecnologia tem de ser paga. Não é igual para um construtor incorporar o preço de uma tecnologia com 20 anos, com incorporar uma nova tecnologia acabada de estrear com milhões de euros em desenvolvimento. Tudo isso, tem de ser pago. Ou seja, antes de baixar de preço, os carros elétricos ainda vão subir!

Depois há ainda um outro fator a ter em conta.

As exigências europeias e mundiais de acelerar a transição energética poderão vir a colocar taxas obrigatórias sobre emissões de CO2. Os carros (e não só) mais poluentes, poderão, a exemplo dos combustíveis, passar a pagar mais, devido a essas taxas, o que, claro, vai-se refletir na bolsa dos consumidores.

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Há ainda uma questão que fica no ar. É que se as pessoas começarem a “correr” a comprar elétricos, a produção dos mesmos terá que aumentar consideravelmente… não será isso uma contradição com os desejos de poupar recursos energéticos do planeta?

 

(Fotos: David Dilbert / Pexels)

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