Mobilidade

Excesso de fábricas de carros elétricos na China ditam encerramento

O crescimento do mercado de automóveis elétricos fez com que surgissem novas empresas e fábricas muito mais rapidamente que o ideal
Fábricas abandonadas na China
Fábricas abandonadas na China
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O mercado de automóveis na China continua a registar uma subida como muito provavelmente nunca aconteceu na história automóvel, sendo que a quase totalidade desta oferta está relacionada com automóveis elétricos. Atualmente, já há fabricantes que conseguem números capazes de rivalizar com construtores como a Tesla, por exemplo, mas outros simplesmente não conseguiram o capital necessário para a produção de automóveis em grande escala e acabaram por ficar pelo caminho.

Um deles é a Byton, por exemplo, que mantém a sua página de internet ativa, com animações a apresentar o seu catálogo de modelos. Mas na realidade, a fábrica deste construtor de Nanjing, com o seu visual moderno e de tamanho considerável, está praticamente abandonada e em perfeito silêncio desde o início da pandemia, sem ninguém por perto. Outro exemplo é o da Bordrin Motors, que também conta com a sua fábrica completamente vazia e um portão de entrada encerrado e decorado com ervas daninhas e um aciso de tribunal no qual consta a insolvência desta empresa.

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São os dois espectros de uma economia que começa agora a ser travada pelo governo, tentando incutir algum controlo nesta loucura inicial. Numa declaração recente à imprensa, citada pela Bloomberg, Xiao Yaqing, a Ministra da Indústria e Tecnologia da Informação da China, afirmou que “temos demasiadas empresas de EV”.

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E na verdade, segundo os últimos registos, há cerca de 846 fabricantes de automóveis registados na China, sendo que 300 destes apresentam propostas de lançamento de novos modelos movidos a energias renováveis, como os elétricos ou os híbridos. E apenas no ano passado, a capacidade de produção de automóveis na China alcançou as cinco milhões de unidades, ou seja, quatro vezes mais o número de automóveis elétricos comercializados nesse mesmo ano.

Para compensar esta tendência, o governo chinês já afirmou que o mercado precisa de estar muito mais concentrado e de que vão começar a ser encorajadas as fusões e aquisições, antes de ser dada luz verde à criação de novas empresas neste sector até que a capacidade de produção excedentária fique um pouco mais controlada. Apesar de a China não disponibilizar publicamente informações sobre a insolvência de empresas, é de conhecimento geral que, desde o ano passado, cerca de uma dúzia de construtores abriram falência e tiveram de ser restruturados para não chegarem a esse ponto.

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Segundo as informações disponíveis, praticamente metade da capacidade de produção de automóveis elétricos na China não foi utilizada. Só a Bordrin, por exemplo, tinha previsto em 2016 uma produção anual de 700 mil automóveis em três unidades de produção, mas o dinheiro acabou antes de isso acontecer e acabou por falir sem ver produzida uma única viatura.

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