Mobilidade

Os condutores estão com mais stress na condução devido à pandemia?

Crises económicas, pós-guerra e eventos sociais demostraram nas últimas décadas que muitos condutores não conseguem lidar com o stress
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Basta pegar no carro e fazer alguns quilómetros. De repente, parece que vários condutores têm explosões de atitude rebelde por tudo e por nada. O que era um comportamento isolado surge agora como frequente. Assistimos na estrada aquilo que parece ser uma acumulada dose de stress que, de forma negativa, é transportada para a condução e para os comportamentos ao volante.

A pandemia, primeiro pelo isolamento, depois pelos problemas económicos e sociais associados surge como uma hipótese de “barril de pólvora” para estes comportamentos.

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Mas, na verdade, há muito que estes episódios são estudados.

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A ciência estuda o stress nos condutores

No final da década de 1960 um estudo publicado nos EUA por Berthold Brenner e Melvin Selzer (disponível no repositório científico Science Direct), abordava a questão do risco fatal de acidentes associados ao stress, alcoolismo e psicopatologias.

Coordenado pela Universidade de Michigan, com o apoio do Instituto de Pesquisa e Segurança Rodoviária (que deu origem à NHTSA) e o Instituto Americano de Saúde Mental (atualmente conhecida pela sigla NIMH), este estudo, apesar de contar com 50 anos mantêm-se com uma atualidade incrível.

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Durante três anos os investigadores americanos analisaram dados de 96 acidentes fatais e descobriram uma prevalência de stress social, causa direta de conflitos e distúrbios.

É referido que, nessa altura, os problemas associados foram as dificuldades financeiras, desemprego e crises afetivas ou conjugais. Cópia de muitos dos problemas atuais...

O estudo científico demonstrou aina que 20% dos acidentes fatais envolveram condutores que tinham tido experiências ou eventos de elevado stress pelo menos até 6 horas antes do acidente. Dados recentes da NHTSA suportam que estes números se mantêm elevados.

Relação com a pandemia do COVID-19

A relação entre este estudo e a atual situação parece evidente. E, os alertas já não são novos. Logo no início da pandemia, o Departamento de Estado de Washington para o Emprego e Indústrias (WSD-L&I) publicou um documento com recomendações para os condutores americanos, tendo em mente, justamente a questão do COVID-19 e o stress associado à mesma.

Muitos condutores veem-se hoje com problemas de diversa ordem que afetam os níveis de stress e ansiedade. E o COVID-19 tem sido um catalisador desses distúrbios.

 

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Por um lado, as constantes mudanças de restrições associadas que limitam a liberdade de movimentos, por outro lado, as incertezas laborais, são dois fatores-chave. Mas também a preocupação com a saúde (do condutor e de todos os que o rodeiam) e a potencial pressão financeira (incerteza do futuro) são dois elementos a ter em conta.

Os condutores estão na estrada e a sua cabeça está bem mais longe. As preocupações retiram horas ao descanso e isso, por sua vez, é mais um rastilho para má disposição e consequente comportamento incorreto.

Apesar disto ainda há vários estudos a decorrer e as verdadeiras conclusões sobre o efeito da pandemia na condução, poderão demorar alguns anos.

 

Como detetar alteração nos níveis de stress?

Em particular no que respeita aos condutores tem sido recentemente bem percetível que os comportamentos estão alterados e há uma maior agressividade na estrada de forma geral.

A questão parece ser mental, como refere a NIMH nos estudos que tem realizado desde a década de 1960. As preocupações dão lugar a elevados níveis de ansiedade elevados.

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Consequências de irritação levam a ultrapassagens feitas com menor preocupação, regras de prioridade ignoradas e até interações constantes com outros condutores. Há ainda casos de estacionamento abusivo ou mesmo anárquico cuja ação do condutor é levada pelo estado emocional.

Além disso, depois das restrições à circulação e aos movimentos, os condutores parecem agora querer fazer valer os seus direitos, mas, não raras vezes sem pensar nos direitos dos outros.

Fatores a ter em conta: a fadiga mental, depressão, falta de atenção, irritabilidade constante, entre outros.

Como evitares então o stress, de uma forma geral?

Planear bem a viagem, evitar as horas de ponta sempre que possível, estudar caminhos alternativos que possam estar menos congestionados. Questionar na empresa se é possível praticar um horário diferenciador que permita evitar momentos de pico no trânsito.

No caso dos carros elétricos este planeamento deve incluir uma pesquisa pelos postos de carregamento ao longo do trajeto caso seja preciso. Mas estes também podem ser fontes de stress ou de anti-stress (ver aqui)

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E acima de tudo devemos cumprir com horas de descanso, para conduzirmos mais descontraído.

E já agora, ter comportamento cívico.

(Vídeo: Programa Esta Manhã da TVI, rubrica AWAY Mobilidade sustentável, 06.12.2021 - Fotos: Unsplash )

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