Se está a pensar abastecer o carro, talvez valha a pena esperar mais alguns dias. Os preços dos combustíveis poderão registar uma descida expressiva na próxima semana, com reduções que podem fazer diferença na carteira de quem utiliza o automóvel diariamente.
De acordo com informações avançadas por fontes do mercado à CNN Portugal, o gasóleo poderá ficar 9 cêntimos mais barato por litro, enquanto a gasolina poderá registar uma descida ainda superior, de 11,5 cêntimos por litro.
A confirmar-se esta previsão, estaremos perante uma redução significativa, sobretudo num contexto em que os preços dos combustíveis têm representado uma despesa considerável para muitas famílias portuguesas.
Porque vão descer os preços da gasolina e do gasóleo?
A principal explicação está na evolução dos mercados internacionais. As cotações dos produtos petrolíferos registaram uma descida acentuada, criando condições para que os preços dos combustíveis também recuem em Portugal.
Mas há outro fator a ter em conta: o comportamento do euro face ao dólar. Como o petróleo é negociado internacionalmente em dólares, uma valorização da moeda europeia permite, em princípio, comprar a mesma quantidade de matéria-prima por um valor inferior em euros. Este efeito cambial pode contribuir para aliviar os custos de importação e, consequentemente, os preços dos combustíveis.
É precisamente a conjugação destes dois fatores, a descida das cotações internacionais e a valorização do euro, que ajuda a explicar a dimensão das reduções agora antecipadas pelas fontes do mercado.
O petróleo caiu para mínimos de dois meses: o que aconteceu?
A evolução dos preços do petróleo também merece atenção. Na quarta-feira, 4 de novembro, o barril de Brent, uma das principais referências internacionais para o mercado petrolífero, registou uma queda acentuada, chegando aos 94,62 dólares.
Segundo a agência Reuters, a descida foi superior a 8% e levou o Brent ao nível mais baixo desde 31 de agosto.
Uma das razões apontadas pelos analistas foi o resultado das eleições intercalares norte-americanas, nas quais o Partido Democrata conquistou o controlo das duas câmaras do Congresso, retirando aos republicanos a maioria parlamentar.
Os investidores passaram a antecipar maiores limitações à margem de atuação política e militar da administração de Donald Trump, incluindo no conflito com o Irão. Esta mudança de expectativas contribuiu para reduzir parte do prémio de risco geopolítico incorporado no preço do petróleo.
A possibilidade de uma solução diplomática para o conflito no Médio Oriente também entrou nas contas dos mercados. Afinal, qualquer evolução que permita normalizar a produção e o transporte de petróleo na região poderá aliviar as preocupações com a oferta mundial.
Ainda assim, é importante não confundir expectativas com certezas: uma eventual redução das tensões não significa que o conflito esteja resolvido ou que os preços do petróleo vão continuar necessariamente a cair.
O que pode fazer os combustíveis voltar a subir?
Apesar das perspetivas favoráveis para os automobilistas, o mercado petrolífero continua bastante sensível aos acontecimentos internacionais.
Na quinta-feira, 5 de novembro, por exemplo, o Brent voltou a valorizar, recuperando parte das perdas da sessão anterior e aproximando-se dos 96,37 dólares por barril, de acordo com a Reuters.
A evolução do conflito no Médio Oriente, as negociações diplomáticas, os níveis de produção dos países exportadores e as decisões da OPEP+ continuam a ser fatores capazes de alterar rapidamente o rumo das cotações.
Também o câmbio entre o euro e o dólar poderá influenciar o preço final dos combustíveis em Portugal.
Além disso, há uma componente que não deve ser esquecida: os impostos. O preço que paga na bomba não depende exclusivamente do valor do petróleo, incluindo também a fiscalidade, os custos de distribuição, a refinação e as margens comerciais.
A própria legislação portuguesa prevê mecanismos de ajustamento temporário do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), pelo que as alterações fiscais também podem influenciar a descida que chega ao consumidor.
Vale a pena esperar para abastecer?
Se não precisa de abastecer imediatamente, poderá fazer sentido acompanhar a evolução dos preços até à próxima atualização semanal.
Uma descida de 9 cêntimos no gasóleo e de 11,5 cêntimos na gasolina seria relevante para quem tem o hábito de encher o depósito, sobretudo numa altura em que cada euro conta no orçamento familiar.
Ainda assim, convém aguardar pela confirmação dos novos preços e comparar os valores praticados pelos diferentes postos de abastecimento. Em Portugal, os preços podem variar de estação para estação, pelo que escolher onde abastecer continua a ser uma das formas de controlar esta despesa.
A próxima semana poderá, assim, trazer algum alívio a quem utiliza o automóvel diariamente. Resta perceber se as descidas agora antecipadas pelas fontes do mercado se vão confirmar integralmente quando os novos preços chegarem às bombas.