Fantástico

Estivemos em uma exposição privada dedicada aos 60 anos da mítica Renault 4L

São 60 anos desde que a primeira 4L foi apresentada. Apesar de já não ser fabricada, é um veículo icónico que traduz 30 anos de história automóvel
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Quando olhamos para a história do universo automóvel, facilmente encontramos veículos que marcaram o mundo. A Renault 4L é um desses automóveis.

Passaram 60 anos desde que foi apresentado e, quando se fala no modelo emblemático da marca francesa, há sempre alguém que tem uma memória que envolve este fabuloso ícone. Não é de estranhar: desde 1961 até 1992, ano em que deixou de ser produzido, saíram das fábricas mais de oito milhões de unidades que se espalharam pelos quatro cantos do mundo e que ainda hoje podem ser vistos nas estradas.

Como disse Dominique-William Jacson, o gerente de promoção da Renault Classic, “A 4L foi um ícone Pop, um ícone de liberdade”.

A 4L é um carro acarinhado, não só pelas pessoas, mas pela própria marca que mantém uma coleção de 850 veículos, dos quais mais de 600 estão prontos a fazer-se à estrada caso seja necessário.

Renault 4L Bye Bye

Para celebrar o aniversário da 4L, vimos representada em alguns modelos expostos a história de um carro que fez as delícias de pessoas de todas as idades, serviu de carro de família e de trabalho, fez parte das frotas da polícia e dos bombeiros, ajudou a erguer negócios e até participou em ralis.

Um veículo que foi durante muito tempo o terceiro mais vendido do mundo e que nasceu e renasceu num sem fim de versões, do clássico ao Parisienne, passando pelo Bye Bye e pela versão furgão, também conhecida por F4.

Em 1961, a Renault deu a conhecer no Salão Automóvel de Paris as três versões do carro: a 3, a 4 e a 4L. A primeira, era um veículo muito simples, sem espelhos laterais, sem para-choque, sem grelha frontal e com apenas três cavalos. Foi um carro sem muito sucesso e, ao fim de poucos anos, a marca acabou por deixar de o produzir.

Renault 4L ao longo dos anos

Depois temos a versão 4 e a 4L, ambas com motores de quatro cavalos, mas diferentes entre si. Na verdade, foi a versão 4L a mais vendida, tendo sido um grande sucesso e tendo batizado o carro até hoje. Este pequeno L surge com dois significados: por um lado, vem de limousine, uma vez que o veículo tinha três janelas de cada lado, por outro representa luxo, não fosse a 4L a versão de topo.

Depois de 60 anos, a 4L ganhou asas

A Renault 4L era um automóvel para as massas, robusto e de confiança e era isto que o fabricante queria transmitir. Qual a melhor maneira de o fazer senão levar estes pequenos carros a percorrer meio mundo, em ralis e expedições? Em 1965, quatro modelos da Elle percorreram 40 mil quilómetros e 28 países, indo da Terra do Fogo, na América do Sul, ao Alasca. Mais tarde, a Renault emprestou carros a jovens para que estes conhecessem o mundo, num projeto chamado Routes du Monde.

Renault 4L Haute Couture

Da Renault 4 e da 4L, nasceram um sem fim de outras versões ao longo de três décadas, como é o caso do 4L Parisienne, desenvolvido em parceria com as mulheres franceses e com a revista de moda Elle, lançado em 1964, ou o Plein Air, um veículo descapotável, sem portas, que saiu em maio de 1968, ano marcado por greves e, no final, uma revolução em França.

Também a Renault F4 fez as delícias das pessoas. O furgão foi desenhado a pensar no transporte dos mais diversos objetos e trouxe uma inovação que ainda hoje se vê nos Renault Kangoo, o girafon, uma pequena porta no topo do veículo que permitia transportar objetos mais compridos, como escadas.

Renault 4L de serviço

A Renault 4L era também um carro de serviços. Fez parte das frotas dos bombeiros, do La Poste, o correio francês, e da Gendarmerie, a polícia francesa que elegia o carro pois os agentes conseguiam entrar e sair da 4L sem terem de tirar o képi (boné).

Conhece a Renault 4L redesenhado por Mathieu Lehanneur

Como é que um carro com tanto sucesso é obrigado a dizer adeus às estradas? Em 1992, com as novas regras referentes à poluição, era impossível continuar a produzir a Renault 4L. Nasceu assim a versão Bye Bye: um tributo ao emblemático veículo, composto por mil carros numerados de 1000 a 0001.

Renault 4L e-Plein Air

Apesar de já não estar a sair das fábricas, a 4L nunca disse realmente adeus. Ao longo dos anos, a Renault tem feito recriações do clássico, ora dando-lhe o motor mais rápido de sempre, que atinge 237 km/h, como aconteceu em 2011, ora apresentando-o em versão elétrica, como com o e-Plein Air de 2019 ou o Parisienne elétrico de 2021, em exposição no L’Atelier Renault, dos Campos Elísios, em Paris. Recentemente, a Renault deu asas à 4L e apresentou um eVTOL inspirado no veículo icónico.

Quer tenhas tido um 4L ou estejas apenas agora a conhecer um pouco da sua história, este veículo é um ícone do mundo automóvel e promete continuar a dar que falar ao longo dos anos. Quem sabe, não renasce para o público e volta a pisar estrada numa versão mais sustentável.

 

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