Num artigo intitulado “seis dos melhores destinos para escapadinhas de fim de verão no sul da Europa e em Marrocos”, o jornal britânico The Guardian incluiu uma região portuguesa que foi destino de férias durante muitos anos para Amália Rodrigues. E é logo esse facto que os jornalistas sublinham: “A ‘rainha do fado’, Amália Rodrigues, dizia que as baladas melancólicas e apaixonadas de Portugal ‘vinham do mar, desse imenso mar à nossa frente’. Não surpreende, por isso, que nos anos 60 tenha escolhido uma falésia no Alentejo, debruçada sobre o Atlântico, para construir o seu refúgio criativo”.
Mas, a que zona do nosso país se referem os britânicos? Falam do Alentejo litoral, o que se desdobra em paisagens de sonho pela Costa Vicentina. “A serenidade da vida rural portuguesa contrasta com a força da paisagem natural — e o melhor é que tudo permanece maravilhosamente pouco explorado”, descrevem.
“Basta olhar para o mapa para perceber a ausência de cidades ou grandes vilas nesta região. A autoestrada principal que liga Lisboa ao sul segue pelo interior antes de descer até Faro. Até as estradas nacionais evitam a costa. Não há um caminho rápido para chegar ao Alentejo e, quando finalmente se chega, o tempo parece abrandar”, pode ler-se ainda no artigo.
O The Guardian chega a sair do Alentejo e a entrar naquele que é um Algarve muito especial. Falamos de Odeceixe, “um dos melhores pontos de partida para aproveitar o sol do fim do verão”. “A sua praia estende-se entre falésias negras”, “o extenso areal dourado divide-se em dois cenários: de um lado, as águas calmas e rasas do rio, ideais para paddle ou caiaque; do outro, o mar aberto com ondas consistentes para todos os níveis de surf”.
“Quem conhece volta sempre ao Bar da Praia, ano após ano, escondido no alto da falésia de Odeceixe (dica: siga os chapéus de sol azuis), com uma vista deslumbrante sobre o oceano”, recomendam ainda os jornalistas do The Guardian.
“Já a aldeia de Odeceixe, a cerca de três quilómetros da praia, tem vida própria: ao cair da noite, a praça enche-se de movimento, enquanto padarias e cafés abrem cedo. As casinhas brancas com barras coloridas emolduram portas e janelas, e no alto ergue-se um moinho ibérico pintado de branco e azul”, destacam.
O artigo não poderia deixar de recomendar as “caminhadas pela Rota Vicentina, uma rede de trilhos que cruza a natureza e aldeias históricas, tanto pelo interior como ao longo da costa”, agora que o calor se faz sentir com menos intensidade.
“O Trilho dos Pescadores, outrora usado apenas por locais para aceder a praias escondidas e pesqueiros, está hoje bem sinalizado. Existem ainda 24 percursos circulares, que somam mais de 250 quilómetros, além de trilhos curtos, ideais para combinar com uma tarde de praia. No final do verão, não é raro ter uma praia intacta só para si”, escrevem.