Sustentabilidade

Descarbonização obriga a investimento empresarial de 65 mil milhões de euros

Relatório afirma que Portugal está num bom caminho, mas que, para atingir neutralidade carbónica, as empresas vão ter de investir financeiramente
Descarbonização em Portugal (foto: Carolina Pimenta/Unsplash)
Descarbonização em Portugal (foto: Carolina Pimenta/Unsplash)

Alcançar um futuro sem emissões é um desafio a longo prazo. E, para se conseguir atingir as metas definidas no Acordo de Paris, as empresas a nível mundial vão ter de fazer um investimento de 64,7 mil milhões de euros, segundo o novo relatório lançado pela Boston Consulting Group (BCG) e a ANP|WWF, “Para além das metas baseadas na ciência: um plano de ação corporativa para o clima e a natureza”.

Refinaria (foto: Maksym Kaharlytskyi/Unsplash)

No comunicado, é referido o trabalho que Portugal tem feito nos últimos anos para mitigar as emissões de gases de efeito de estufa [GEE]. Em 2019, o país emitiu uma média de 5,4 toneladas de dióxido de carbono (CO2) e de emissões per capita, um valor 30 por cento mais baixo daquele que é a média europeia, fixada em 7,5 toneladas de CO2.

A nível de energia, Portugal destaca-se a nível mundial, fazendo parte do Top 10 de países do mundo com maior utilização de energias renováveis. Todos estes valores representam um progresso marcante e uma vontade real em lutar por menos emissões e um planeta mais saudável. Apesar de todos os marcos já alcançados, o caminho ainda é árduo e cabe também as empresas fazer a sua parte em prol do planeta.

Painéis solar (foto: Andreas Gucklhorn/Unsplash)

Em Portugal, as três indústrias mais poluentes são a da energia, do cimento e a química. No relatório é referido que só a indústria da energia é responsável por 23 por cento das emissões de GEE e que se esta conseguir alcançar a descarbonização, irá influenciar positivamente todos os outros setores.

A indústria cimenteira é também apontada como uma das mais poluentes por causa da libertação de CO2 por parte das matérias-primas usadas e da utilização de combustíveis fósseis. Ainda assim, o trabalho de descarbonização do setor já começou e têm apostado na reutilização de materiais desperdiçados ao longo do processo e em fornos mais eficientes.

Fábrica (foto: Maxim Tolchinskiy/Unsplash)

No contexto da COP26, a ATIC (Associação Técnica da Indústria de Cimento) apresentou um manifesto onde se pode ler que a indústria assume o compromisso de contribuir para o combate às alterações climáticas, fazendo a sua parte para atingir a neutralidade carbónica até 2050.

O que se tem verificado nos últimos tempos é que são cada vez mais as empresas nacionais a apresentar planos para controlar as emissões de GEE, mas são poucas as que fazem algum investimento financeiro para compensar as emissões de CO2.

Lisboa (foto: Ricardo Rocha/Unsplash)

Não chega plantar árvores. Se queremos reverter a perda de natureza e travar as alterações climáticas, é urgente ter compromissos sérios de todos que efetivem uma mudança de fundo ao longo da cadeia de valor”, alerta Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF.

Carlos Elavai, managing director e partner da BCG vai mais longe e lembra que “apesar de observarmos cada vez mais empresas a anunciarem planos de descarbonização, a maioria ainda não conseguiu concretizar uma estratégia que responda ao desafio climático e ao mesmo tempo permita capturar benefícios relevantes, quer na redução de custos, no crescimento de novos negócios ou na aplicação de preços premium”.

Comboios (foto: Ricardo Resende/Unsplash)

O managing director e partner refere ainda que esta dificuldade se torna ainda maior em Portugal, onde grande parte do tecido empresarial é composto por pequenas e médias empresas, com menos recursos.

Nesse sentido, o relatório desenvolvido pela BCG e pela ANP|WWF apresenta o Plano Corporativo de Mitigação Climática que compila estratégias para que as organizações consigam atingir os seus objetivos climáticos, contribuindo para o cumprimento da descarbonização até 2050.

Porto (foto: Carlos Machado/Unsplash)

O papel do Governo português também não pode ser esquecido e, no relatório, refere-se que apenas com a alavancagem do Plano de Recuperação e Resiliência, onde está previsto um apoio de 715 milhões de euros para a descarbonização das empresas, será possível que o país alcance as metas do Acordo de Paris.

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