Mobilidade

Laboratório forense dos Países Baixos descodifica dados de condução da Tesla

Após uma colisão que envolveu um Tesla com o sistema de Autopilot, o laboratório forense neerlandês descodificou os dados do sistema da empresa de Elon Musk
NFI descodifica dados da Tesla (Foto: Markus S./Pexels)
NFI descodifica dados da Tesla (Foto: Markus S./Pexels)
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A evolução da tecnologia no mundo automóvel permite agora que diversos dos sistemas utilizados nos carros fiquem armazenados durante algum tempo. Mas este continua a ser um tipo de informação que raramente é divulgada além da infraestrutura da marca.

No caso da Tesla, sabe-se que a marca acede a uma boa quantidade de informação, com o objetivo de ir melhorando os seus modelos através de atualizações de software, ao verificar e resolver algumas das questões que vão surgindo. No entanto, quais os dados específicos e que tipo de informação é registada, ainda era um mundo desconhecido. Até agora.

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Tesla, imagem genérica de interior (Foto: R. Nickson/Pexels)
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Após um acidente que envolveu um condutor da Tesla e o sistema Autopilot do carro, um laboratório forense holandês “dissecou” toda a eletrónica do modelo em questão e conseguiu desencriptar o sistema de armazenamento de dados de condução, que inclui uma enorme quantidade de informação e, segundo este laboratório, poderia ser utilizada para investigar acidentes graves.

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Segundo o Netherlands Forensic Institute (NFI), o facto de os modelos da Tesla armazenarem dados relativos a acidentes já não era uma novidade, mas nesta investigação foram descobertas muitas mais informações que os investigadores desconheciam.

Os dados encriptados mostram um completo armazenamento do funcionamento do sistema Autopilot, mas também elementos como a velocidade, a posição do pedal do acelerador, o ângulo do volante e a utilização dos travões, sendo que toda esta informação, segundo o NFI, consegue ser armazenada durante mais de um ano.

Netherlands Forensic Institute (Foto: Captura)

Na opinião de Francis Hoogendijk, um dos investigadores da NFI, “estes dados contêm uma riqueza de informação para investigadores forenses e analistas de acidentes de viação e podem ajudar numa investigação criminal após um acidente de viação fatal ou um acidente com ferimentos".

Neste caso concreto foi possível verificar que o veículo que seguia na frente do Tesla efetuou uma travagem brusca e que o condutor do veículo, que tinha o sistema Autopilot ativo, teve um tempo de reação adequado face aos avisos do carro que detetaram uma colisão eminente, mas que esta só acabou por acontecer devido à distância demasiado curta entre os dois veículos. A dúvida fica em: se o sistema Autopilot estava ativo, o Tesla não deveria ter estabelecido uma maior distância de segurança?

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O laboratório forense conseguiu aceder a estes dados utilizando um método de engenharia inversa, ou seja, uma espécie de desconstrução do software, em vez de uma procura ativa de extração de informações. O NFI refere ainda que a Tesla codifica estes dados com o objetivo de manter a sua tecnologia segura face a outros construtores, mas também para proteger a identidade do condutor, sendo que os proprietários de cada Tesla podem solicitar este tipo de informação diretamente à marca, incluindo imagens das camaras em caso de acidente.

Perante este caso em concreto, no entanto, a marca ainda não respondeu com qualquer tipo de comentário.

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