Opinião
Paulo Passarinho
Coordenador Editorial da AWAY, comentador do Magazine semanal AWAY no programa de informação Esta Manhã da TVI e co-autor do podcast AWAY by Rádio Comercial, dedicado à Mobilidade Sustentável

Legislativas 22: Costa e Rio não falaram de energia, combustíveis, transportes ou ambiente

Esteve anunciado como o debate mais importante no arranque da campanha para as legislativas 2022: António Costa (PS) vs Rui Rio (PSD)
Legislativas 2022: Debate António Costa vs Rui Rio
Legislativas 2022: Debate António Costa vs Rui Rio

Estamos prestes a ser chamados de novo às urnas para eleger um novo parlamento e um novo governo, após o chumbo do Orçamento de Estado de 2022. António Costa, secretário-geral do PS, primeiro-ministro, e, Rui Rio, Presidente do PSD, maior partido da oposição, debateram ontem, dia 13 de janeiro, aquilo que são as suas ideias. 

Em simultâneo nos três canais generalistas portugueses ouvimos o que ambos defendem... ou não, porque, na verdade muito ficou por esclarecer. É preciso dizer a todos os portugueses que vão enfrentar em 2022 muitos mais problemas do que as questões que foram ontem debatidas sobre saúde, economia, privatizações e justiça.

O tempo foi pouco é verdade e seria impossível falar em todos os temas. Mas… deixar de fora transportes, aumento do preço da energia e dos combustíveis, ignorar por completo o problema das alterações climáticas, só para mencionar alguns tema-chave, parece-me preocupante.

Ouvimos falar da TAP, discutimos os milhões, se devia ou não ser “salva”, o que fazer aos buracos financeiros… ignoramos que na maioria das cidades europeias existem alternativas para que as pessoas se desloquem entre capitais, de forma prática, económica e rápida, sem ser de avião. Sim, chama-se comboio. Foi ignorado.

Depois impostos, políticas fiscais, apoios sociais, economia de forma genérica. Extremamente importante, mas, uma vez mais falta relembrar que nem todos os portugueses conseguem utilizar os passes dos transportes (Portugal não é apenas Lisboa e Porto) e têm como única alternativa a utilização do carro. Se o ambiente obriga a taxar emissões poluentes, com consequências a curto prazo nos transportes, então onde está a posição de qualquer um dos dois políticos sobre alternativas?

Com as letras todas: 2022 pode vir a ter um dos maiores aumentos nos preços dos combustíveis que alguma vez aconteceram. Não é futurologia. Mesmo que o preço do petróleo baixe, com a pressão sobre a nova exigência de eletricidade na indústria e para carregar os carros elétricos, o que vai acontecer é justamente um aumento dos combustíveis derivado da elevada procura da eletricidade.

E o que dizer da forma como foi ignorado o problema das alterações climáticas? Como é que é possível que nenhum dos principais "atores" tenha pegado nesta parte do guião? Esquecida rapidamente a COP26, esquecidos rapidamente os grandes incêndios na Califórnia, as inundações na Europa… achamos mesmo que só vai acontecer aos outros? Nem uma palavra.

Não é um problema de direita, centro ou esquerda, não é ser menos ou mais preocupado com a justiça, os trabalhadores, causas sociais ou outras. Nem tão pouco é a ideologia ambiental extrema que nem sempre "casa" com as necessidades sociais e empresarias da sociedade moderna. É a gritante falta de debate sobre tudo isto.

Porque, concorde-se ou não, com mais ou menos sensibilidade para o problema das alterações climáticas e da verdadeira urgência de realizar uma justa e equilibrada transição energética, aquilo que mais confrange é perceber que estes só são temas para levantar bandeira quando é necessário piscar o olho a mais eleitores.

Não vai ser fácil apostar nas cruzes certas no final do mês…

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