Opinião
João Barros Oliveira
Nascido em Lisboa, em 1977, fez formação superior em Ciências da Comunicação e em Marketing. Esteve ligado a vários projetos editoriais na área automóvel enquanto jornalista e editor, para depois se dedicar por inteiro ao Marketing e à Gestão de Marcas em agências de comunicação e publicidade de renome. Adora SUP de ondas e desde criança que não perde um Grande Prémio de F1.

Veículos elétricos nas frotas das empresas precisam-se

Transição para mobilidade elétrica tem de ser encarada como fator-chave de qualquer política empresarial de sustentabilidade
Veículo comercial
Veículo comercial

A forma como as empresas, em especial as de média e grande dimensão, gerem a sua política de sustentabilidade e contribuem para a redução do impacto no ambiente causado pela sua atividade é, hoje, mais do que nunca, um tema que exige especial atenção por parte dos seus decisores.

Se, por um lado, a implementação de uma política de sustentabilidade robusta, capaz de desenvolver ações concretas com repercussão na comunidade, é sinónimo de inovação, de ambição e de consistência, por outro é também um fator capaz de gerar “goodwill” junto do consumidor.

Cada vez mais, quem gere o destino de médias e grandes empresas tem o entendimento de que a adoção de medidas que contribuam para a neutralidade carbónica, alinhadas com as políticas e metas estabelecidas, designadamente para o Espaço Económico Europeu, é, mais do que uma tendência, uma absoluta necessidade. Uma mudança de paradigma que só podemos considerar muito positiva.

Daquilo que entendemos como medidas que possam contribuir para a sustentabilidade ambiental de um negócio, são muitas as que podem (e devem) ser implementadas. A transição para a eletrificação de frotas automóveis é, necessariamente, uma delas. Aliás, uma das mais importantes, diria.

As deslocações são uma componente fundamental da maioria dos negócios. Sejam de carácter comercial, de distribuição, ou apenas numa ótica de movimentação de recursos entre diferentes instalações ou entre casa e o trabalho. Milhões de quilómetros são percorridos todos os dias a título profissional. Os veículos a combustão, que ainda representam a larga maioria das frotas das empresas, são, por isso, um obstáculo à redução do impacto ambiental por elas causado. Mas essa realidade começa a mudar.

Um estudo recentemente realizado pela empresa Marktest para a plataforma Standvirtual revelou que 40% das empresas de média e grande dimensão em Portugal já têm veículos elétricos na sua frota (no mínimo um) e que, entre as 100 organizações inquiridas (com uma frota composta por, pelo menos, cinco veículos), 31% admite ser muito provável vir a adquirir um elétrico.

Naturalmente que a redução dos gastos com combustível e os benefícios fiscais (isenção de IVA, IUC; ISV; etc.) estão entre os principais motivos que levam os gestores de frota a optar por elétricos, mas é interessante verificar que também a redução de emissões é apontada como um fator decisivo.

Empresas como a Nestlé, cuja frota de quase 500 veículos passará a ser totalmente composta por modelos eletrificados (híbridos e elétricos) até 2024, ou a Delta Cafés, igualmente num processo acelerado de transição para a mobilidade elétrica, têm dado o exemplo que outras podem seguir.

É certo que, para as empresas, essa transição vem acompanhada de um investimento que é necessário fazer ao nível das infraestruturas de carregamento, mas os benefícios a nível económico e ambiental, a médio e a longo prazo, são inegáveis.

Muito há ainda a fazer para que os veículos ao serviço das empresas deixem de ser causadores de poluição ambiental, mas esse tem de ser (necessariamente) o caminho. Assim haja vontade política e coragem do tecido empresarial em ser um agente de mudança.

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