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Combustíveis: apoio de 30 cêntimos/litro a transporte de mercadorias e TVDE

Medida foi anunciada pelo Governo depois de empresários e motoristas do setor dos transportes de mercadorias protestarem contra falta de apoios
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Paralisação parcial do setor do transporte de mercadorias
Paralisação parcial do setor do transporte de mercadorias

Os transportes de mercadorias até 3,5 toneladas e os TVDE vão ter o direito a um apoio de 30 cêntimos por litro de combustível para ajudar a fazer frente à subida do preço dos combustíveis. Este apoio é semelhante ao apresentado para autocarros e táxis.

A nova medida foi anunciada pelo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, depois de empresários e motoristas do setor do transporte de mercadorias ter começado uma paralisação parcial das frotas na segunda-feira, 14 de março.

Na conferência, feita com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, Siza Vieira referiu que haverá reuniões com as associações dos transportes de mercadorias para poderem ser apresentados os detalhes da medida.

Esta conferência serviu também para anunciar que a linha de crédito de 400 milhões de euros para as empresas que estão mais dependentes da energia e dos combustíveis que foi apresentada sábado, dia 12 de março, será lançada esta quinta-feira.

Esta linha de apoio à produção com garantia pública será gerida pelo banco Português de Fomento e tem um nível de cobertura de 70% do montante financiado. Tem um prazo até oito anos, com 12 meses de carência de capital.

Para ter acesso à linha, as empresas que operam nos setores da indústria transformadora e dos transportes têm de se encaixar numa das três situações:

  1. os custos energéticos pelo menos 20% dos custos de produção;
  2. um aumento do custo de mercadorias vendidas e consumidas superior a 20%;
  3. quebra de transação operacional igual a 15%quando resulte da redução de encomendas devido à escassez ou dificuldade de obtenção de matérias primas, componentes, ou bens intermédios.

Empresas dos setores referidos, com atividade associada à produção de bens alimentares de primeira necessidade que vejam a sua cadeia de abastecimento particularmente impactada pelo conflito na Ucrânia estão isentas da necessidade de preencher os critérios.

Setor do transporte de mercadorias convocou paralisação parcial

Na segunda-feira, dia 14 de março, empresários e motoristas do setor do transporte de mercadorias deram início a uma paralisação parcial, de 20% das suas frotas devido ao aumento dos preços dos combustíveis e à falta de apoios para o setor. O protesto levou a que se juntassem no Carregado, em Lisboa. 

Foi anunciado que o protesto não teria data de fim e que o setor estava à espera que o Governo criasse medidas de apoio.

Estamos aqui hoje a reivindicar as nossas causas, que, no fundo, partem da escalada do preço dos combustíveis, que nos torna impossível podermos trabalhar”, referiu Mário Norte, empresário que detém uma frota de seis camiões, na segunda-feira.

Quem também marcou presença no protesto foi o presidente da Associação Empresarial Beira Alta (Acisba), João Aguiar, que acredita que o aumento do preço dos combustíveis é inadmissível:

“[…] O crude foi adquirido antes da guerra e a guerra não é uma desculpa. Estamos a refinar o crude que comprámos a 80 dólares o barril e estamos a vender [acima] da barreira dos dois euros”, referiu em declarações à Lusa.

Preço dos combustíveis atingiram níveis mais altos da última década

Desde o início da invasão russa à Ucrânia que o preço dos combustíveis disparou, tanto nos Estados Unidos como na Europa, atingindo os níveis mais altos da última década.

Esta segunda-feira, em Portugal, verificou-se um aumento de 13,6 cêntimos no gasóleo e de 9,3 cêntimos na gasolina, havendo já vários postos no país a vender ambos os combustíveis a mais de 2 euros o litro.

Esta subida motivou um buzinão na Ponte 25 de Abril esta segunda-feira, sendo este o segundo buzinão em apenas dois meses.

(Fotos: Tiago Petinga/Lusa, Unsplash e D.R)

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