Energia

Preço dos combustíveis vai queimar mais que o sol. Novos aumentos a caminho

Gasóleo prepara-se para subir vertiginosamente na próxima semana rumo a verdadeiros recordes
Posto de combustíveis
Posto de combustíveis

A meteorologia para este fim de semana indica que iremos ter em Portugal temperaturas a rondar os 40 graus, mas este é um calor que em nada se pode comparar à previsão que aqui deixamos para o preço dos combustíveis que está cada vez mais "quente" para o consumidor.

Infelizmente as previsões (provisórias) que têm em linha de conta o andamento das cotações e os preços das matérias primas, levam a que possamos adiantar que o preço do gasóleo poderá subir, na próxima semana entre 10 a 12 cêntimos por litro. Já a gasolina deverá manter-se com o preço médio desta semana ou eventualmente aliviar ligeiramente.

Mas o que se passa então? Começando pelo que parece óbvio. A cotação do Brent ultrapassou os 123 dólares por barril nesta última semana e meia e assim parece apostada em manter-se em alta nos próximos dias. Por incrível que pareça este valor até está longe dos 147,50 dólares que custava em 2008 (dados OilPrice), ano de pico de preços do crude. E incrível porque, nunca como agora, o preço de venda ao consumidor esteve tão elevado. O que se passa?

O problema é que os fatores que influenciam o preço dos combustíveis, para além, claro, de uma pontinha de especulação e perspetiva de lucro das gasolineiras, não estão apenas e só na relação com o preço do crude. E muito menos unicamente na Guerra da Ucrânia.

A decisão de embargo ao petróleo russo, talvez politicamente acertada como forma de retaliação pela bárbara invasão russa na Ucrânia, tem um outro lado menos positivo para a economia. É que esta decisão irá retirar do mercado mais de 3 milhões de barris diários e há muita incerteza se os restantes países produtores podem, de facto, colmatar esta perda.

Depois há fatores como a lei da oferta e procura. De acordo com notícias da Bloomberg, durante os últimos dois anos o consumo de combustível por parte do gigante chinês foi bastante abaixo até das mais prudentes previsões. Isto porque a Covid-19 e os consecutivos lockdown não mostraram o apetite voraz da economia chinesa. Há medida que a pandemia alivia nota-se maior procura e não existindo maior oferta os preços irão subir.

Mas há um outro problema. A Arábia Saudita não quer propriamente “ostracizar” a Rússia e há muitos sinais de que o petróleo que não possa ser vendido de uma forma, possa, na verdade, chegar a outros mercados (como o africano e asiático por exemplo) de outra forma. Complicado? Nem por isso. Estas são causas de uma forte volatilidade e incerteza completa no preço do crude.

Por último há uma questão que pouco se ouve falar, mas com analistas citados pelo Financial Times alertavam na última semana. É que os custos de refinação nunca estiveram tão elevados como agora. Seja por falta de alguma matéria prima, seja, por outros motivos, a verdade é que esta tem sido (mais) uma importante causa de aumento do preço dos combustíveis.

Amanhã, como faz semanalmente desde setembro de 2021, a AWAY irá publicar a previsão semanal, já com os dados atualizados à data de dia 10. 

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