Sustentabilidade

Governo reconhece: seca severa ou extrema agrava-se e atinge 95,5% do país

Problema de seca foi discutido no Parlamento e foram anunciados planos para combater falta de água a médio prazo
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95,5% de Portugal em seca severa ou extrema (Associated Press/Sergio Azenha)
95,5% de Portugal em seca severa ou extrema (Associated Press/Sergio Azenha)

Portugal continua em seca meteorológica, sendo que 95,5% do território está em seca severa ou extrema. O anuncio foi feito pelo Governo através de um despacho publicado em Diário da República, a 3 de março, no mesmo dia em que se debateu no parlamento o problema da seca.

De acordo com o diploma, segundo o índice PDSI – Palmer Drought Severity Index, em fevereiro a situação agravou-se. Assim, 29,3% do território está na classe de seca severa e 66,2% na classe seca extremo, estando mais de 260 concelhos numa destas duas situações.

Seca em Portugal (Associated Press/Armando Franca)

Seca em Portugal é estrutural

A discussão no Parlamento que se deu a 3 de março teve também como foco a seca meteorológica no território português e a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, referiu que o despacho já publicado iria permitir acionar medidas de apoio.

O ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, também falou e garantiu que a água para consumo humano está assegurada para os próximos dois anos, mas deixou um alerta: "A seca em Portugal não é conjuntural, é estrutural”, referiu no início do debate."

O ministro acrescentou ainda que no sul já se sente a escassez e que no norte ela é “cada vez mais rarefeita”.

Ruínas do rio Zêzere (Associated Press/Sergio Azenha)

Desde o final de 2021 que a ausência de chuvas tem provocado a descida do volume de armazenamento em grande parte das bacias hidrográficas, o que obrigou o governo a restringir a utilização de cinco barragens para a produção de energia e para regas.

Por isso, e também durante o debate no Parlamento, o ministro do Ambiente e Ação Climática frisou que vai haver um aumento nos investimentos em abastecimento e saneamento de 875 milhões de euros para mais de mil milhões de euros no próximo Quadro Comunitário de Apoio.

Haverá também 14 vezes mais fundos para apoiar a reutilização de águas residuais.

Em relação à construção de novas barragens, Matos Fernandes mostrou-se contra, referindo apenas que a única que o país necessita neste momento é para regular o caudal do rio Tejo.

(Fotos: Associated Press, Unsplash e Nuno Veiga/Lusa)

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